quarta-feira, 2 de março de 2011

Sentidos.


Estou a pensar em você.
Mas não no sentido abstrato
Penso em carne e osso,
De modo que caso e sinto
com teus gestos e teus gostos
De modo que teu corpo e teus anexos
fiquem comigo à tempo -
quase inteiros.

Eu te amo,
mas não no sentido utópico da coisa
amo em comunhão de pensamento
Mas não no sentido metafórico, figurado.
Amo a ponto de cravar em terra esse tal.
À ponto de correr e conter os riscos de peito aberto.

Amo. Não no sentido cômodo da coisa
Amo à ponto de não cessar a busca
à ponto de não medir angústia
à ponto de estar pronta. Disposta.

Te amo.
Não no sentido incompleto da coisa toda.
Amo em plenitude.
Ousadia, beleza e liberdade para tal.

Amo por inteiro.
Não no sentido de morto,
mas no sentido de firme,
no sentido de não partível,
no sentido do que não se pode desintegrar.

Amo no sentido de "pra sempre".
Mas não um "pra sempre" de futuro incerto
amo-te de modo que não se é permitido usar ponto final.



Por: Livia Queiroz

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Brincar com você...




E eu me sinto assim:
brincando de gangorra
ao lado de Deus...
Com borboletas entre os dedos,
e cantos dos mais belos
musicando essa vida minha...





(Por: Livia Queiroz)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Niver meu - Niver Lindo (01/02)

Aos meus amados...


(Clique na imagem para ampliá-la)


As coisinhas, as mais simples, trazem convites pra fazer piquenique na alma.
As pessoas, as mais amadas, trazem consigo vestígios de poesia.
São todas bordadas de confetes, e à mão por Deus...
Junto com elas, o riso sai gaiato. A felicidade põe à mesa tudo que é de matiz amor.
O espírito amolece quando emperdenido, as portas brincam de plenitude quando antes fechavam-se.
O que era raro se mostra abundante, transbordante de toda essência do tempo então.
O que é o outro, se confunde com você na dança eterna de codinome amizade.



P.S.: Singelo agredecimento à TODAS as pessoas que ajudam a encher minha vida de matizes de amor. Obrigada!


(Por: Livia Queiroz)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Closed





Solidão
é quando o "escuro de você"
fica de saco cheio
e também fecha os olhos...




(Por: Livia Queiroz)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Céu de Olhos

Obrigada meu amor pelo céu.
Esse que encontro quando eu estou com a gente
e com nossos laços atados de pernas,
com nossos fios de cabelo se misturando
endereçando novos nortes.
Esse céu que tomo parte
e que chamo – intima e timidamente – de olhos teus.
Esse céu de cá do chão,
que eu queria gravar o que lhe é vida
e clarear com eles minhas noites sem ti.

Aguardo os rios e a tua correnteza pacientemente,
Espero no doce de tua esperança.

Meu amor,
Obrigada por hoje eu ter destinatário para me declarar
por eu ter corpo-pesinho ora sob, ora sobre o meu
Mais ainda, meu amor:
obrigada pela sagrada consciência de plenitude
e pelo adocicado dos meus poemas de amante
pela sutileza do seu toque em minha alma
pelo nosso encontro de energias e gozo
pelo tremor do gozo,
pelo sumo do gozo
pelo ar que me vem às narinas impregnado de teu cheiro

Sou-lhe grata, meu amor,
por eu ser e estar todo dia
grávida de tua essência.

(Por: Livia Queiroz)



quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

In-verso







Ô meu verso,
tá in-verso?
Inverteu de vértice,
ou o que?
Cadê tu verso meu?
Que desversificação te comeu?


(Por: Livia Queiroz)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

À Deus

Meu Deus me dê a força que eu preciso pra entender que nenhum ponteiro há de girar erroneamente e para aceitar as Tuas obras como obras apenas Tuas.
Necessito de sabedoria pra compreender a "falha" da vida quando sopra sua última faísca.

Meu Deus, dai-me consciência para encarar com doce saudade a partida de quem amo e para compreender que o bom lugar é outro, não aqui.

Meu Deus, se tiveres tempo, embala-me em sono profundo para que quando eu acordar eu tenha a consciência de que estar viva nada mais é que um estágio, e que estar viva, não tem nada a ver com corpo em movimento e sim com alma em constante vibração.

Me dê ainda forças para caminhar sem achar que estou só no mundo, sem cambalear na fé, sem me embriagar do veneno da revolta. E acima de tudo, coragem para acordar todos os dias desejosa de luta.

Meu Deus, faz descansar quem merece, dá paz aos corações doídos, alento aos fracos e fé aos que, por ainda não te conhecerem não compreendem a magnitude de Tua sabedoria.

__________________________
|Um Anjo retornou ao encontro dos seus|

P/ Sandra Santanna,
O Anjo que Deus me deu a honra de conhecer...
Te amo pra sempre, minha grande amiga!
Até mais...
|________________________________|


Por: Livia Queiroz



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte final)

“Naty,

Antes de qualquer coisa quero que saiba que essa não é uma tentativa de reatar o nosso namoro, nunca foi essa a minha intenção. A única coisa que quero é falar o que deve ser falado... Procurei você várias vezes e não obtive sucesso. Entendo sua atitude e aceito.

Quero que saiba, que eu te amo pra sempre, e que nada do que eu disse de ruim, era verdade. A única coisa que há pra você, dentro de meu coração, é amor. E esse amor é puro, incapaz de qualquer atrocidade, de qualquer malvadeza.

O problema é que às vezes a boca contraria o coração. E é assim que as coisas ruins saltam da garganta. Enrijeci a alma e vi o resultado: te perdi.

As coisas não andam muito bem comigo, e eu nem sei se vou conseguir te entregar essa carta. Mas o que seria da vida sem a tentativa?

Que a nossa história acabou eu entendo e suporto. Que você ama outra pessoa, eu me esforço para acreditar. Que você me esqueceu e não me ama mais, por mais que eu tente, isso não me soa como verdade.

Mas, ser racional que sou, não pretendo alimentar expectativas e nem invadir sua vida de maneira irresponsável, até porque sei também de todos os obstáculos que você enfrenta...

Durante todos esses meses que te procurei só queria te pedir uma coisa: por favor, me perdoe. Não me deixe ir embora sem seu perdão. Entenda que cedi à um impulso vil e sujo, e que não queria fazer você pensar que sou o que não sou.

EU TE AMO,
Lara.


P.S.: Desculpe a caligrafia, é que não tenho mais a mesma coordenação motora de antes... : )"

Era o que dizia a carta do envelope azul marinho que só foi aberta por Natália um mês depois, quando a mesma criou coragem para lê-la. Embora não notasse, sua vida nunca mais fora a mesma, passou a pensar que talvez não tivesse mais tempo no próximo minuto e passou a fazer hoje o que é pra ser feito hoje. Quanto ao namoro, se seguiu, e ela aos poucos foi voltando à felicidade habitual, sem grandes emoções é verdade, mas ainda precisaria de muito tempo para aprender e entender que a vida foi feita para ser vivida com intensidade. Isso era questão de tempo.

Silvia trocou o trabalho que odiava e passou a fazer o que realmente amava: dedicou-se a fotografia. E estava além de feliz, realizada. Anos depois conheceu alguém, por quem se apaixonou novamente e com quem descobriria de novo o gosto da felicidade.

Agnes voltou ao apartamento da filha com o coração repleto de remorso. Não se perdoava e passara a fazer terapia com Ricardo. Ninguém melhor que ele para ajudá-la.

E Lara... Lara estava bem... Feliz... Em paz... Do jeitinho que gostava...

E num lugar, sem dúvida, muito melhor que o que todos nós estamos.

- Quando pensar nela – dizia Silvia à Natália – pense com todo amor que ela merece!


POR: LIVIA QUEIROZ

FIM!


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 16)

No dia seguinte, Natália levantou com forte dor de cabeça, tivera uma noite horrível. Dormiu muito mal e parecia que tinha um tijolo amarrado à sua cabeça. Mesmo assim levantou, tomou banho se vestiu e foi até o apartamento de Lara.
- Entre. – disse Silvia educadamente.
- Por que você está aqui? – perguntou Natália sentindo o ciúme fazer parte dela novamente.
- Porque alguém tinha que estar!
- Vocês estavam juntas de novo?
- Sempre estivemos juntas, ao lado da outra pro que quer que fosse.
- Não é disso que to falando! – irritou-se Natália.
- Então a resposta é não. – falou Silvia pegando sua bolsa e se dirigindo à porta.
- Aonde você vai?
- Trabalhar. Quando sair, por favor, feche a porta. – e saiu sem procurar pensar muito na presença de Natália ali.

Natália passou pelo apartamento. Adentrou no quarto de Lara e ficou lá, deitada em sua cama que ainda guardava o cheiro da única mulher que amara nesse mundo.

Ficou por lá o dia inteiro. Cochilou e acordou várias vezes. Ao fim da tarde, Silvia voltou para tentar arrumar mais algumas coisas e ainda encontrou Natália dormindo agarrada ao travesseiro de Lara. Sentiu o corpo estremecer num misto de raiva e ciúme, mas preferiu não dizer nada, voltou para a sala e lá ficou esperando que a moça acordasse. Já havia escurecido quando Natália levantou.
- Desculpe, deitei na cama de Larinha e acabei pegando no sono. Sonhei com ela.
- Não tem problema – disse Silvia sem tirar os olhos do livro que estava lendo.
- Silvia, obrigada. – falou Natália com voz rouca ainda.
- Não fiz nada para você me agradecer.
- Fez sim. Cuidou de Lara. Ficou do lado dela. Amou-a, apoiou, segurou a barra e sabe lá o quanto deve ter sofrido e o quanto está sofrendo ainda.
- Fiz porque a amo.
- Eu sei. Também a amo, mas por conta da birra, da zanga, e do orgulho não consegui perdoá-la à tempo. Ela foi à minha casa e tudo! Eu nem a recebi.
- Eu sei. Ela te amou muito, e a única coisa que queria era ver você.
- Se ela tivesse me contado...
- Você viria por pena?
- Lógico que não! Viria por amor, isso sim.
- Ela achava que se te contasse você viria por pena e ela nem queria que você soubesse na verdade. Falava que não queria estragar sua felicidade, que você estava bem, amando outra pessoa, feliz da vida...
- Evitei Lara justamente por saber que não ia resistir por muito tempo, e como já estava magoada encontrei um motivo à mais para me afastar. Mas agora sei que é tarde pra voltar atrás e...
- É. – interrompeu Silvia levantando-se e seguindo para o quarto – Preciso arrumar as coisas dela. E tentar entrar em contato com a mãe pra saber o que ela vai fazer com isso tudo.
- Me deixe ajudar. – pediu Natália indo atrás de Silvia e parando na porta do quarto.
- Como queira – respondeu, dando os ombros.

Já era tarde quando terminaram de arrumar as roupas que foram postas numa terceira mala, e os objetos pessoais que foram separados em caixas. Fizeram tudo isso em silêncio, cada uma perdida nas lembranças boas que guardavam de Larinha.
- Eu posso dormir aqui? - pediu Natália, querendo se sentir um pouco mais perto de Lara.
- Pode. Eu já estou indo.

Silvia voltou para casa e ligou para Ricardo:
- Natália apareceu lá? – surpreendeu-se o psicólogo
- Apareceu pela manhã. Eu tava indo trabalhar e a deixei lá, quando eu cheguei, ela ainda estava. Me ajudou a arrumar as coisas e pediu pra dormir lá.
- E você?
- Deixei-a lá e vim pra casa.
- Ela ficou muito abalada.
- Peso na consciência.
- Acho que é mais arrependimento. Porque todas as pessoas pensam que tem todo o tempo do mundo para colocar as coisas em ordem, desfazer os desentendimentos, amar com tudo que pode... E uma hora o tempo passa, acaba e já era a baita oportunidade que a vida esfregava diante de seus olhos.
- É verdade!

Conversaram mais um pouco e se despediram. Silvia tomou um banho demorado e em seguida caiu na cama, dormiu pesadamente.

Ao contrário de Natália que passou a noite em claro.

POR: LIVIA QUEIROZ

(CONTINUA...)