sábado, 17 de julho de 2010

A mulher que hei de amar


A mulher que eu quero ao meu lado rouba a brisa do mar enquanto caminhamos de mãos dadas. Sem vergonha.
Ela não tem pudores dentro de nossos corpos de espelho.
É ousada quando briga comigo, mas faz voz mole quando quer fazer as pazes
Não possui aspereza ou deboche pra falar de nossa poesia, posta a mesa sob a forma de amor.
Mesa onde a deito e não a coloco pra dormir...
A mulher que eu quero ao meu lado ficará satisfeita ao ser parte de minha refeição, ao ser tom de meu tom e alimento pra minha alma.
A minha mulher, será a música nova de cada dia ainda que chova, ainda que entardeça o dia chatinho e ainda que reclame horas a fio das cólicas menstruais, das contas no fim do mês, da bagunça em minha mesa, dos remédios que eu nunca tomo...

Que será de mim se não a encontrar?
Ai de mim meu Deus!

Bendita seja essa mulher que eu hei de amar e de tanto amar hei de conhecer as réplicas, as súplicas, os poros, os porões, os trilhos e elos do passado.
Espero ansiosa por essa divina há quem hei de esconder esses versos premonitórios, e tão primitivos, sem derivados ousados ou límpidos que ousem ganhar sentido.

Ora, vejam o que faço por essa mulher!

Inspiro-me até sob cobertor de lã, ou até mesmo no chão gelado sem vestes.
A mulher que está por vir tem roseiras espalhadas pelo corpo e o seu mel salgará a ponta de minha língua viciando-me do novo de novo. Todos os dias até que a morte nos separe e por fim, quando cansar de tamanha maldade nos una novamente.
Carne que é uma só vira pó da mesma urna.


(Por: Livia Queiroz)