quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 13 )

Lara já não mais falava em Natália. Havia aceitado a sua decisão desde que não fora recebida pela ex. Mesmo tendo Silvia tentado convencê-la de que fora verdade a suposta saída de Naty, Lara fora incisiva ao dizer:
- Tá na hora de eu me preocupar comigo. Fiz tudo o que pude!

Se por um lado Silvia se sentia aliviada por ver Larinha sofrer menos(aparentemente), por outro se preocupava e se entristecia com o que acontecera na ida ao apartamento de Natália. Lara, contara superficialmente, é verdade, mas pelo que ouviu, e pelo que Ricardo contou-lhe depois, ela sabia o quão magoada Larinha devia estar.

Lara estava tendo uma semana dificílima. As dores não mais paravam e ela foi internada mais uma vez. Passava o dia entre dores e cochilos. Emagreceu bastante, os olhos afundaram contornados por um arroxeado sombrio. E por conta das dores, delirava, se debatia, gritava. Quase nada mais parava no estômago. Quem conhecesse Lara de longa data, se assombraria com o estado da garota. Ela que sempre fora cheia de vida, estava agora uma caricatura de morte pra ninguém botar defeito.
- Vem cá. Deita aqui comigo. – pediu Lara baixinho.
- Aí? – assustou-se Silvia, com receio de deitar na maca junto à Lara.
- É. Vem. – pediu quase que sussurrando por conta da dor de cabeça.
- Tá. – Disse Silvia se acomodando com cuidado
- Você sabe que eu vou ter que ir embora né?
- Sei, mas Lara, não pense nisso...
- Penso sim. – interrompeu-a – E quero que você saiba que você foi a melhor pessoa que eu conheci em minha vida. E quero que saiba que eu também te amo. Que você foi a melhor companheira que eu poderia ter tido e que eu fui uma estúpida por não ter te dado o devido valor. Sortuda a mulher que cruzar seu caminho.
- Larinha, você me fez muito feliz! Eu sei que não me amou como mulher, mas foi minha amiga, minha companheira. E a melhor época da minha vida, sem dúvida começou depois que te conheci.
- Eu sinto ir embora assim. No meio do show – disse quase sorrindo e de olhos marejados. – E sinto também não estar agora olhando em seus olhos pra dizer tudo isso.
- Você está olhando em meus olhos! – disse Silvia deixando que uma lágrima caísse. Elas estavam deitadas de lado, uma de frente pra outra e abraçadas, de modo que os olhos de Lara pareciam fixos no dela.
- Durante esse tempo que você ficou lá em casa, cuidando de mim, se doando, por muitas vezes eu não te dei o valor que você merecia. Ficava falando de minhas dores, meus problemas que sequer questionei quais são as SUAS dores. Porque pra mim, agora, é isso que importa.
- Lara, eu...
- Quais são?
- Não sei... – gaguejava sem saber o que dizer, ou melhor, tentando encontrar uma forma de dizer...
- Pode falar. Eu quero saber! – ordenou.
- Dói não ter tido mais tempo com você. Doeu quando você se apaixonou por outra mulher, uma que nem te amou como você merece. Dói saber que vou ficar sem você, que não posso amenizar suas dores, que não posso tirar isso de você. E pior dói estar e não estar na sua vida.
- Me desculpe. – disse abraçando-a com força – eu, dentro de meu mundinho, não enxerguei você. E por isso, quero agora, que me prometa que você vai ser feliz. Se eu tivesse como reparar todas as vezes que negligenciei o seu amor, tenha certeza que eu o faria, mas saiba também que nunca foi intencional.
- Eu sei. E por isso o que eu sinto nunca mudou!

Ficaram conversando por horas aquela noite. Por fim, Lara adormeceu e Silvia voltou pro seu sofazinho ao lado da maca. No meio da madrugada, Lara despertou em meio a dores terríveis, os enfermeiros vieram, tentaram ajudar aumentando a dose da medicação e a dor não cedia. O tumor estava grande demais e pressionando o cérebro.

Lara suava frio, e se contorcia tamanha a dor que sentia. Silvia foi retirada do quarto para que os enfermeiros e Dra. Lucia, que havia acabado de chegar, pudessem examiná-la melhor. Ficaram lá dentro por muito tempo, e Silvia podia ouvir do lado de fora, os gemidos de Lara que faziam seu coração gritar desesperado. Em poucos minutos Ricardo chegou e encontrou Silvia pálida e aflita, ao ouvir o sofrimento de Lara, abraçou Silvia com ternura.
- Vim assim que eu ouvi seu recado. Vai ficar tudo bem.
- Estou com medo de perdê-la. Eu sabia que ia acontecer, mas é assustador quando a hora parece estar chegando.

Sentaram-se e ficaram esperando alguma notícia. Minutos depois tudo voltou à calmaria. Dra. Lucia saiu do quarto e Silvia se levantou rapidamente sem esperar nenhuma palavra da médica.
- Passaram as dores? Ela dormiu?
- Silvia – o semblante de Lucia era triste – Fizemos tudo que podíamos, mas sabíamos que...
- O que você tá dizendo? – gritou Silvia enquanto as pernas não mais a sustentavam.
- O tumor estava muito grande. E nós sabíamos.
- O que quer dizer? – berrava Silvia enquanto Ricardo a segurava, apoiando-a – Diga! Diga!
- Lara acabou de falecer. Eu sinto muito – falou à medica enquanto ia explicando os motivos que levaram Lara à óbito.

Tudo ficou escuro e por um segundo Silvia pensou que também estava perdendo a visão. Tombou a cabeça pro lado e desmaiou.

POR: LIVIA QUEIROZ

(CONTINUA...)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 12 )

Não havia mais clima para Lara conversar com Silvia à respeito de Natália. Sentia-se mal por saber que Silvia ainda a amava e por não poder retribuir tal sentimento, em compensação mudara sua maneira de agir, tornando-se mais compreensiva e menos egocêntrica.
O domingo chegou cheio de Sol. O céu, que Lara não mais podia observar sorria para ela, que parecendo entender do sorriso, acordou cheia de coragem, e muito disposta. Silvia estranhou vê-la de pé cedo, sentada no sofá da sala, arrumada. Ela que quase não saía do quarto por medo de tropeçar em alguma coisa, mesmo Silvia já tendo tirado todo obstáculo do caminho.
- Acordou cedo. Que bom! Tá linda, vai sair? – perguntou admirada
- Pretendo. – respondeu, Lara, ansiosa. – Preciso ligar pra Ricardo, mas não sei o número de cor e nem ia adiantar pegar o cartãozinho dele...
- Mas hoje é domingo, Lara. Não sei se ele trabalha...
- Por favor, Sil, liga.
- Ligo sim.

Silvia discou o número e foi pra cozinha, imaginou que Lara quisesse uma consulta com Ricardo e não ia ficar escutando a conversa entre os dois.

- Desculpa Ricardo. – começou, meio sem graça – Eu sei que você nem trabalha hoje, mas é que... – pausou a fala, tentando pensar na palavra certa.
- É que...
- Queria ir até a casa de Natália. FalaR com ela, já que não poderei vê-la. – disse quase rindo da própria frase.
- Acho uma boa idéia.
- Mas tem mais uma coisa.
- Pode falar.
- É que eu não posso chamar Silvia pra ir comigo. E também não consigo ir sozinha, e...
- Entendi. Vou me arrumar e passo pra te buscar.
- Obrigada Ricardo, você é um anjo.
- Anjo? Eu? Não diga uma asneira dessa. – disse soltando uma gargalhada.

Meia hora depois ele chegou ao apartamento de Lara. Ela estava do mesmo jeito que quando ligou pra ele: sentada no sofá da sala, esperando. Estava linda. Despediram-se de Silvia, que não entendeu nada, e saíram. Era a primeira vez que Lara saía de casa após a perda de visão. A sensação era estranha: ouvir os carros, as vozes das pessoas, até os gritos dos vendedores ambulantes, os carros de som, sem ver as cores, os rostos...

Ricardo seguiu o caminho que Lara dera como endereço, em poucos minutos estavam frente ao prédio que Natália morava.
- Aperta o 415. – pediu Lara.

Ricardo assim o fez e em seguida ouviram uma voz masculina atender o interfone. Lara estremeceu, devia ser o tal namorado, mas sabia que corria esse risco e se chegara até ali tinha de ser forte. Ricardo percebeu, e segurou seu braço passando certa segurança.
- Natália, por favor – pediu com voz firme.
- Ah, ela não está.
- Sabe se ela vai demorar?
- Creio que vai.

Lara afastou-se do portão desapontada, sem ao menos agradecer pela informação. Guiada por Ricardo entrou no carro. Na janela do apartamento, Natália observava Lara ir embora ao lado daquele homem que jamais vira na vida, chateada talvez. Mas não se importava, era assim que tinha que ser e além do mais, não pediu pra Lara aparecer de surpresa.
- Quem era? – indagou o namorado
- Uma amiga. Quer dizer, ex amiga.
- Por que não a recebeu?
- Não tenho o que falar com ela. Não quero contato. – disse nervosa.
- Nossa! Calma.
- Eu to calma. – disse enquanto se sentava no sofá e fingia ler um livro que sequer sabia o título – Preciso estudar.

Sentada ao lado de Ricardo, Lara se mostrava triste e até um pouco cansada. A alegria que sentira ao acordar foi diluída em poucos segundos.
- Ela estava lá e não quis me receber.
- Que é isso Lara? – dizia Ricardo tentando apaziguar as coisas.
- Eu sei que estava.
- Não tem como saber isso.
- Tenho sim. Você não entende, mas eu sei que ela estava lá e não quis me receber, daí mandou aquele cara mentir. – pronunciou as últimas palavras com certo desdém.
- Aquele cara é o namorado dela?
- Deve ser. – disse emburrada e virando o rosto como que a pedir um tempo em silêncio.

Ricardo entendeu o recado e dirigiu sem dizer mais nada.


POR: LIVIA QUEIROZ


(CONTINUA...)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 11 )

Lara pouco conversava, passava o dia inteiro deitada. Recebia as visitas dos colegas de trabalho, e alguns outros amigos, mas nenhum familiar havia aparecido, e ela parecia não se importar muito.

Ricardo e Silvia já eram suficientes, e a faziam se sentir muito bem, na medida do possível.
- Larinha, podíamos sair hoje – sugeriu Silvia.
- Sair? Assim?
- Assim como?
- Assim: CEGA!
- Que preconceito é esse Lara? O mundo tá cheio de deficientes visuais e eles não deixam de sair porque não enxergam. Muito pelo contrário, grande parte deles tem uma vida normal.
- Eu não sou como eles! – disse cabisbaixa
- É tão forte quanto!
- Não obrigada. Eu não quero sair, mas você deveria ir. Fica praticamente o tempo inteiro aqui comigo. Você tá de férias do trabalho e devia aproveitar. Ficar aqui é perda de tempo.
- Nunca mais diga isso! – respondeu com voz firme. – Não estou aqui por pena. Estou aqui por te amo e quero ficar ao seu lado, e vou ficar, à menos que você não queira.
- Eu não disse isso. Só acho que não vive mais a sua vida. Tem que sair, se distrair. Nem namorando você tá.
- Eu estou aqui por que quero estar, já disse. E eu vivo minha vida, sim. E caso não saiba, você também é parte de minha vida.

Lara engoliu seco. Sentiu vergonha de si mesma e de sua atitude. A amiga era quem a apoiava e ali estava ela, discutindo com Silvia sem sentido. Se exaltando à toa.
- Me desculpe – disse de cabeça baixa.
- Está tudo bem. – respondeu Silvia passando a mão no rosto de Lara.
- Tenho sido egoísta demais. Vivo no meu mundo e não me dou conta às vezes de que você está aí, ao meu lado. Fico o tempo inteiro falando de uma outra mulher, sem nem notar que posso estar te magoando. Faço apenas o que eu quero e você também só faz o que quero. Por favor, me desculpe.
- Larinha, não se preocupe com isso. Você não me magoou e nem me magoa. Somos amigas e você pode falar o que quiser comigo. Eu te amo como amiga também.
- Eu também. Não quero mesmo sair, mas vamos pedir uma pizza.
- Huuum. Boa idéia.


POR: LIVIA QUEIROZ

(CONTINUA...)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 10 )

As coisas não iam bem, e Lara piorava à cada dia. Voltara mais duas vezes ao hospital.
Os vômitos eram muito mais intensos, as dores de cabeça constantes e Lara passara a apresentar grande dificuldade para segurar os objetos, perdeu e muito a sensibilidade no tato, além de quase não levantar da cama.
Mas mesmo com toda a gravidade da situação Lara não se deixara abater, e mais, não deixava de orar, de agradecer a Deus por todas as coisas maravilhosas que vivera até ali.

- Como se sente? – era Silvia adentrando no quarto e abrindo a janela para o sol iluminar melhor o ambiente. Lara havia acabado de acordar, mas matinha os olhos fechados. Era cedo ainda.
- Bem. – disse com certo receio. Ainda de olhos fechados. – Que horas são?
- Sete e meia. Pensei que poderíamos caminhar um pouco na praia, tomar água de coco. Se você estiver se sentindo disposta, claro.

Lara abriu os olhos, mas ficou em silêncio. A respiração começou a ficar descompassada fazendo com que ela se sentasse na cama e chorasse copiosamente. Silvia assustada com a que via, puxou Lara para si e abraçou-a, achando que Lara tivesse acordado de um sonho ruim, ou tivesse feito ou recebido uma ligação desagradável de Natália.

- Calma Larinha, calma. – dizia enquanto embalava Lara na tentativa de acalentá-la. – Você ta se sentindo mal?
Com muito esforço Lara foi se acalmando e conseguiu, em meio a soluços, sussurrar:

- Eu... Eu... Eu não to enxergando.
Tá tudo escuro. Eu to cega

Parecia que um buraco negro abriu-se sob os pés das duas. Silvia procurou manter a calma, afinal precisava apoiar Lara.

- Vou ligar pra Dra. Lucia. – disse pegando o telefone, enquanto observava Lara com o olhar perdido e inundado.

Em poucos minutos Lucia já estava a examinar Lara:

- Lara, nós sabíamos que isso podia acontecer.
- Vou ficar cega então? É isso?
- Por ora só posso te dizer que sim. Quero que vá às onze no meu consultório para fazermos uns exames. Tudo bem?
Lara nada respondia, permanecia seria e calada, estava ainda digerindo aquilo.

- Estaremos lá. – respondeu Silvia.

Parecia que de uma vez só, toda a força e vitalidade de Lara desapareceram junto com a visão. O brilho morrera da noite pro dia. Os exames foram feitos e ficaram prontos confirmando que dali pra frente a vida de Lara seria no escuro. A dor invadiu a casa sem licença nem nada. A amargura de Lara a trancafiava dentro de sua própria alma.
Ricardo passara a visitar Larinha três vezes por semana e ajudava Silvia a agir de maneira a não ferir o pouco brio que lhe restava.

- A família dela já sabe? – indagou Ricardo.
- Há algum tempo atrás, liguei pra mãe dela e contei como ela estava, mas isso foi bem antes de o estado dela se agravar.
- E...
- Sem chance. D. Agnes não quer nem saber da filha.
- Então nós seremos a família dela.


POR: LIVIA QUEIROZ


(CONTINUA...)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 9 )

Lara ficou internada por alguns dias, e durante todo esse tempo o mal estar de Natália perdurou, ela chegou a ir ao médico, fez alguns exames, mas o problema não era físico. Ficou em repouso, cuidou da alimentação e dias depois estava bem. Havia uma conexão desconhecida entre as duas e esta fazia com que uma “sentisse” a outra. Parecia estranho, mas desde que Natália começou a se sentir mal, passara a pensar em Lara com mais intensidade, mas fazia questão de afastar de si aquele pensamento.
Já em casa, Lara pedia com todas as forças que ainda possuía para que Natália resolvesse aparecer, e para que quando o fizesse ainda tivesse tempo de falar o que tanto desejava à ex. Naquelas condições Lara não sabia mais o que podia acontecer, nem quais seriam as outras limitações que lhe acometeriam. Não pedia à Deus que lhe tirasse as dores, que parasse os vômitos, que a curasse milagrosamente do maldito tumor. A única coisa que queria e que pedia era para ver Natália, mas à cada dia que o fazia, essa possibilidade parecia mais distante.

Silvia via tudo aquilo com o coração sangrando, não sabia como ajudar Lara, e mesmo que quisesse procurar Natália, sabia que não seria recebida e caso fosse, poderia trazer pra Lara um sofrimento maior do que o que ela já estava mergulhada. O coração não estancava de jeito algum e parecia que conversar já não adiantava. Por esse motivo Silvia resolveu entrar em contato com Dr. Ricardo que no mesmo dia arrumou uma hora em sua agenda e foi à casa de Lara.

- Ricardo! – surpreendeu-se Lara, abraçando Ricardo que se ajoelhara ao lado da cama – Que surpresa boa!
- Desculpe não ter vindo antes. – disse o psicólogo enquanto se levantava.
- Vem, senta aqui. – disse Lara batendo com a palma da mão sobre a cama.
- Me diga, como você está? – indagou, logo após se acomodar.
- Ah, eu to me sentindo bem hoje. Fiquei internada, mas já era de se esperar.
- É, eu soube.
- Tem dias que me sinto melhor, mas tem dias que...
- Entendo.
- Sabia que Natália não veio?
- Não? – fingiu não saber – Poxa, que pena! Mas ela disse que viria?
- Disse. Mas parece que ela nunca pode, ou nunca quer.
- Larinha – disse enquanto segurava sua mão – já é hora de concentrar suas forças em coisas mais importantes.
- Isso é importante pra mim! – disse Lara, puxando a mão, tamanha a decepção com a incompreensão de Ricardo.
- Eu imagino que seja. Mas, porque não priorizar as coisas em sua vida?
- Escute Ricardo, eu soube desse maldito tumor, eu aceitei que não tinha cura, eu não maldisse à Deus, não mendiguei nada. Ele sabe o quão tem sido difícil. Eu não tenho mais nada a perder, a única coisa que eu quero é vê-la e falar com ela.
- Mas talvez ela não queira.
- Eu sei.
- Por que não conta pra ela?
- Pra ela vir aqui por pena?
- Se ela te ama, ela não virá por pena. E se por acaso vier, você vai saber e vai repensar se vale à pena desprender tanta energia e amar alguém que nutre pena por você.
- Não vou contar.
- Você é quem sabe. Mas cuidado...
- Não entendo.
- Você tá obcecada para falar com Natália que não nota quem está ao seu lado.
- Silvia te ligou e contou o que não devia?
- Não. Silvia me ligou e me contou seu estado, eu me preocupei e aqui estou, mas percebo que ela quer te ajudar. Por isso me procurou. Ninguém sabe mais o que fazer pra te ajudar quanto à isso, Lara. Eu não posso simplesmente ir atrás de Natália, Silvia muito menos. E você, a única que pode procurá-la, contar o motivo pelo qual quer vê-la não o faz.
- Você não entende... Não quero falar disso com ela.
- Já passou pela sua cabeça que ela não quer vir porque acha que vai perder tempo? Porque acha que você vai querer reatar ou algo do tipo?
- Já.
- Eu quero te ajudar Lara. Porque não quero te ver com esse coraçãozinho triste, você tem muito mais com o que se preocupar pra ficar sofrendo à toa. E se você me autorizar eu procuro Natália, converso com ela e...
- Nem pense nisso – gritou Lara, estava ficando nervosa e as lágrimas caiam sem controle.
- Tudo bem. Vem aqui – disse com ternura, puxando-a para si e fazendo com que ela recostasse a cabeça em seu peito até que serenasse novamente.
- Estou me sentindo cansada. – disse Lara limpando o rosto.
- Vou embora, e deixar você descansar. Mas Lara, se mudar de idéia me ligue. E não esqueça que pode contar comigo. – disse dando-lhe um beijo estalado na testa.
- Obrigada. Desculpe-me por eu ter me exaltado.
- Não se desculpe. E fique bem tá? Ah, tive uma idéia: escreva.
- O que?
- Tudo o que você pensar, desejar, sentir. Apenas escreva. Pode ser bom.
- Vou pensar. – disse, com um riso meio murcho enquanto observava Ricardo a sair pela porta.


POR: LIVIA QUEIROZ

(CONTINUA...)