sábado, 16 de outubro de 2010
Vem
Mastiga, resgata-me
da forma mais remota.
Vem, cerca-me do que é teu
Bebe da minha sede
- fonte pecaminosa -
Prova todos os meus sabores da alma
Do gozo santo de todo dia.
Vem, prova-me aos poucos
em pequenas colheradas
e o que sobrar,
derrama em tua cama
e faz de mim teu exílio
Se der tempo,
quando a noite aparecer
me põe na cama,
e me esconde do frio com teu corpo!
Por: Livia Queiroz
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
POEMA DESFIADO
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Rascunho
Vá brincar de felicidade enquanto finge amar a quem não ama, e enquanto dá certo esse seu plano quase perfeito.
Vá fazer de fantoche quem você finge querer.
Procure nesses braços o abraço que você quer que seja meu.
Use a tática estúpida e tente transferir seu amor.
Feche os olhos e beije, como se o beijo fosse o meu. Abra os olhos e entristeça-se.
Vá brincar de sonhos com os sonhos que eram nossos e que por tão pouco não viraram realidade.
Faça de conta que é indiferente e tente convencer a si mesma das mentiras que você conta a noite na tentativa de selar sua dor.
Admita que jogou tudo fora, porque não sabe lutar...
Porque sua fraqueza te impede de ver o mundo coberto de possibilidades e desejos de vida feliz para realizar.
E eu te quis. Te quis tanto.
Por tanto tempo... Durante todos os dias...
Mas você prefere o fácil, ainda que não te faça feliz.
Abandone os meus segredos guardados em suas sete chaves.
Vá ser mulher pela metade, com meia vida e amor mal vivido.
Vá ser dessas de feridas mal curadas.
Pode ir no seu caminho esburacado, com seu coração tropeçando em escombros.
Pode ir, que a dança fiel dos dias me apresenta formas sublimes de nortear meu mundo (é o que eu ouso chamar de "ironia do destino").
Se eu tô junto é por inteiro.
Mas não avanço teus sinais. Só permita-me dizer que quanto mais o tempo passa, mais se corroi dentro de mim a proximidade do que poderia e deveria ter sido e de repente não foi.
Eu nem ando mais triste.
Meu coração se acalmou quando percebi que o que você me jogou como responsabilidade era na verdade o peso que você não sabia como carregar e que quando achou um motivo pra se livrar, me entregou e me puniu com o que eu tinha de mais sagrado e puro.
Não me dói mais, porque foi você quem jogou lama onde só havia um pouco de pó...
E amor quando cai na imundície passa a querer se esconder por vergonha.
Porque amor, se é de verdade, tem de ser límpido, caso contrário, melhor mesmo que caia na vala mais profunda até sua face ser definitivamente extinta.
Vá brincar de razão e se perca nas suas palavras carregadas da emoção de não saber o que dizer, porque quando me diz que abriu mão, eu escuto sua alma gritar por socorro (eu rio, e finjo ser surda).
Eu não te entendo mais, porque tudo tem limite e eu vou tirar um pouco de egoísmo da gaveta pra pensar no que, de fato, deve ser pensado, refeito, revisto, vivido, provado...
Entender, agora, apenas o que me couber no entendimento e retribuir da mesma forma o que me é dado.
Agora sei sim, que todo o barulho que você faz pra chamar a minha atenção é sua tentativa infantil de dizer "estou aqui, não quero ser esquecida", quando na verdade poderia apenas vir, sem dizer nada, me pegar pelo braço e levar onde quisesse.
Não sabes nada da fundura de meus sonhos abortados.
E também não sabes que existem por aí, pessoas especiais.
Nem sabe que o mundo vai além de você.
Eu morrerei logo mas até lá quero brincar de coisa nova e verdadeira, porque posso conviver com meu pouco futuro e posso me aproveitar até a última gota e o último resquício de vitalidade que me balançar.
Estou vazia de você. Como me sugeriu, aliás, como me ordenou.
Pode ir.
Vá brincar de falsa felicidade.
Enquanto isso eu vivo de verdade!
Por: Livia Queiroz
sábado, 25 de setembro de 2010
EXAGERO!
Já sei que posso esperar tudo de você - e esse tudo também é quase nada - e de qualquer outra pessoa. Você se tornou outra pessoa...
Ora, ora. Quanto exagero!
Mas o exagero é o luxo que me presenteio quando percebo que por mais que diga que não, você sempre volta, e mesmo que não me dê, a vontade fica tão explicita na voz molenga, no dengo maldoso...
E ainda assim com a cara mais lavada me pede pra ter calma?
Calma eu tenho meu amor... Toda calma do mundo! E a cama também; e o carma; e a alma... Tenho mais do que merece!
Amor, nem tanto, ou talvez tenha ainda. Essas idas e vindas deixam um nó bem no meio do caminho e não fazem gotas, nem diferença alguma.
Exagero?!
Nego-me a acreditar que a próxima vez vai ser diferente. O curso das coisas são sempre iguais(e você não tem criatividade alguma), começo e meio, porque fim, parece que encontro e você não me deixa chegar lá...
Ora ora... Quanto exagero!!!
ESCRITO EM JUNHO DE 2009
terça-feira, 14 de setembro de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Poison
sábado, 7 de agosto de 2010
Poetas são patetas
Tudo que é motivo vira jeito, tudo que é jeito se distorce, se contorce, cai na tinta e valha-me Deus, vira rima, vira verso...
E é Verso sobre noite, sobre lua, sobre mar, é tanto verso que tudo que aparece dá vontade de rimar. Às vezes a rima não sai, mas o que vale na verdade é a intenção, aí sai um verso entrelaçado, poesia desregulada tal qual o pensamento de poeta quando a rima não lhe vem. Ê "classezinha" que vê poesia em tudo: em ônibus lotado, em fim da relação...
Poeta é cabra safado, anda sempre na contramão.
"Ora essa, eu e minha mania de rimar, detesto isso, vou pegar uma viola e fazer repentes na praça".
Poetas são todos patetas, erram na cronologia, erram na história, depois acertam os ponteiros e fazem a volta do jeito certo. As malas estão sempre prontas, amarrotadas de sonhos e cheias de razões, todas tolas diga-se de passagem. O Salário pouco, as contas, a pia entupida, o divorcio, é tudo parte do submundo, versos sublinham tudo.
Continuamos? Ou basta para a nossa triste sina de poetas?
Sina de ver beleza ou tristeza em tudo... Sina de passear por entre carros com olhos esbugalhados, querendo tirar poesia de onde não tem... Se bem que poesia existe em todo canto! Meu eu-lírico que é mais crítico, só gosta de caviar e vinho tinto. Mas eu, poeta, pateta convicto, vejo poesia nos mendigos, nas minhas agruras, no meu tédio, até nas silhuetas das mulheres que desejo, nas sombras das árvores, no movimento dos életrons, na intelecualidade dos que ja se foram. Vejo poesia nas amargas desilusões, pra isso não existe remédio.
Enxergo sim, meu olhos tem selos poéticos, pupilas dilatadas em sonetos, cílios que rimam descaradamente... O eu-lírico faz pose, faz bico, quer refinamento, mas o pobrezinho não vence uma - Poesia vem do que é simples - acaba por ceder ao charme pateta, e convence-se que nasceu desse jeito: pobre, coitado poeta.
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Saudades imensas dessa parceria... mistura...
miscigenação poética...
Desse: "Seja lá o que for..."
Até que enfim né, Loh?
Alguém tem que escrever nessa Blogsfera. [risos cínicos]
Amo-te Parceiríssimaaaaaaa!!!
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sábado, 17 de julho de 2010
A mulher que hei de amar

A mulher que eu quero ao meu lado rouba a brisa do mar enquanto caminhamos de mãos dadas. Sem vergonha.
Ela não tem pudores dentro de nossos corpos de espelho.
É ousada quando briga comigo, mas faz voz mole quando quer fazer as pazes
Não possui aspereza ou deboche pra falar de nossa poesia, posta a mesa sob a forma de amor.
Mesa onde a deito e não a coloco pra dormir...
A mulher que eu quero ao meu lado ficará satisfeita ao ser parte de minha refeição, ao ser tom de meu tom e alimento pra minha alma.
A minha mulher, será a música nova de cada dia ainda que chova, ainda que entardeça o dia chatinho e ainda que reclame horas a fio das cólicas menstruais, das contas no fim do mês, da bagunça em minha mesa, dos remédios que eu nunca tomo...
Que será de mim se não a encontrar?
Ai de mim meu Deus!
Bendita seja essa mulher que eu hei de amar e de tanto amar hei de conhecer as réplicas, as súplicas, os poros, os porões, os trilhos e elos do passado.
Espero ansiosa por essa divina há quem hei de esconder esses versos premonitórios, e tão primitivos, sem derivados ousados ou límpidos que ousem ganhar sentido.
Ora, vejam o que faço por essa mulher!
Inspiro-me até sob cobertor de lã, ou até mesmo no chão gelado sem vestes.
A mulher que está por vir tem roseiras espalhadas pelo corpo e o seu mel salgará a ponta de minha língua viciando-me do novo de novo. Todos os dias até que a morte nos separe e por fim, quando cansar de tamanha maldade nos una novamente.
Carne que é uma só vira pó da mesma urna.
(Por: Livia Queiroz)
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Era uma vez
Era uma vez, um tempo onde não se precisava de rélogios, onde as pessoas se vestiam de si mesmas e nenhuma couraça, nenhum silêncio imposto, nenhuma mordaça ameaçavam a palavra, as bocas, os amores.
Era Uma vez, quando eu estava viva e tinha esperança...
Era uma vez quando as crianças eram crianças e podiam brincar nas calçadas.
Era uma vez, quando o "era uma vez" tinha gosto bom de aventura por começar...
Era uma vez tudo tão inocente, tudo tão embriagantemente doce... pleno...terno... sutil...
Era uma vez o felizes para sempre...
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Por: Livia Queiroz
domingo, 25 de abril de 2010
(__________________________)
E lá vou, olhar pra mim de novo e enxergar a saudade batendo no peito acumulada...
To dando um tempo daqui.
To dando um tempo da coisa toda...
Tô em casa de férias.
Nada de médico.
Remédios. Dor de cabeça.
Pagamentos.Roupas.
Etiqueta.
Sem beijo. Sem alma
Sem riso. Sem dó nem piedade.
To brincando de ser lacuna.
Ah, só mais uma coisa: Diz pra vida passar amanhã.
HOJE Não tô pra ninguém!
(Por: Livia Queiroz)
domingo, 21 de março de 2010
Bêbado
Ainda tem a esperança de ser obvio e ouvir uma música que cante sua vida.
Carrega toneladas de tudo que vivera - que mesmo que escondidas - podem ser vistas por uma fresta.
Está bêbado, mas consciente.
Ri alto e aperta os olhos porque lhe giram as imagens dentro da cabeça
Beija suavemente, a tão repentina, elasticidade de suas mãos.
É um ridículo!
E quem vê logo percebe o quão fracassado é.
Ainda assim, segue a toa, e às vezes até saltitante.
Um tanto frouxo e desmantelado
Solicita uma faísca de calor
É até engraçado de observar: meio tonto, cambaleante e risonho
Tem a fé, a mais simples possível
Vida boa, eu diria.
Não é de todo utópico,
Lacrimeja enquanto beija,
Treme a um sussurrar,
Não é tolo,
É poeta...
E atende por "coração".
(Por: Livia Queiroz)
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Nota: O BLOG ANDA UM TANTO "ABANDONADO", MAS A FALTA DE TEMPO ANDA CORROENDO MEUS DIAS. SAUDADEEEEEES IMENSAS DESSE MEU CANTO
segunda-feira, 1 de março de 2010
SOPHIA
“Mal sabes tu o quão difícil é reluzir sob o breu noturno com a sombra celeste a testar toda a fé.”
Assobiam de manhã as andorinhas, as cotovias, e mais todos os pássaros do céu anunciando o igual da mesmice.
Somente Sophia destaca o dia terreno como algo fora do comum. Nada nela é forçado, nada é postiço.
O seu olhar me toma como que um redemoinho correndo para dentro de minha alma. Adoeço.
Dizem ser moça virgem. De fato, não sei, só sei que me causa sacolejos.
Seu andar é de quem flutua sobre os próprios pés e o vestido, sempre velho, sempre o mesmo, é constantemente segurado por conta do vento.
As mãos de Sophia são morenas, da cor que o sol deixou, e sublinham o meu mundo e há quem diga que ao vê-la pareço um tolo. Bobagem!
Sophia é prosa, é música lenta a amansar o espírito. Não me nega um cumprimento ainda que sem olhar-me a fundo.
Ela foi traçada em rima, esculpida pelo lado poeta de Deus e por dentro é aço e melodia, por fora é pele de gente e o seu cheiro arrebata qualquer humor com um laço certeiro.
Flor que desabrocha sem ter calma, e com maestria em qualquer estação. É a minha única certeza de fé, traz-me implosões repentinas sua existência posta por Deus ao meu alcance.
Sophia é deusa que não liga por ser mortal. É claridade generosa que não liga se é noite para poder brilhar.
(POR: LIVIA QUEIROZ)
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Ousam chamá-la de...
Ela tem todos os nomes em um só papel. Segue corriqueira, vagando sozinha pelos claros e escuros. E é em minha cama que repousa, sem fé, sem gozo, sem pijama, sem nudez... Repousa a alma cansada e o jeito afoito, em meu corpo semi pronto.Tranquei-a em minhas mãos pesadas.
Seus olhos parecem sempre saltar de excitação, sobre o altar que lhe contrui.
Ousam chamá-la de minha. Suponho que seja. Ou que um dia será.
Enquanto isso, ela continua a pousar toda a vontade íntima e infame e todos os sonhos impossíveis em meu colo. Protejo para sempre seu ego maltratado.
E no final ela sempre vai embora. Sei que volta.
Sofrer, não sofro.
Chamam-te de MINHA.
Foto: Juliana Nardin S2
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Melhor...
Será o brilho que seus olhos irradiam enquanto a tarde para e observa seu caminhar?
Será o movimento sutil de seu corpo - nuvem passageira - da cor de todos os sóis ao mesmo tempo?
Ela me fez sentir de novo.
Eu que estava tão vaga de palavras, tão simples e impura...
Agora, sinto o gosto
Sorrio por dentro, pela alma inteira que se corrói em felicidade.
A mente, carne, ossos: todos vivos mais uma vez...
Eu posso vê-la. Apenas ela.
Ninguém mais.
Posso vê-la dormindo ao meu lado. À salvo.
Posso dizer-lhe todos os seus sonhos, os mais secretos.
Mas prefiro fechar meus olhos, e assistir...
do jeito que ela me ensinou
(Por: Livia Queiroz)
S. S2
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Leve...
Às vezes a gente diz um adeus doído pra ver a cara de felicidade batendo à porta.
Eu entendo agora os seus braços sempre sedentos, precisei de fato, entender antes de voltar pra eles e antes de ser do jeito que um anjo merece ter alguém.
Os anjos também sabem perdoar não é?
Os anjos, suponho eu, não tem um ego para alimentar...
A gente tem mania de gritar quando não tem muito o que dizer...
Temos mania de achar que sempre sabemos o que nos espera quando avaliamos as possibilidades normais e simples e aí acabamos não enxergando o caos arranhando nossas paredes...
Ficamos com a mesma mania estúpida de querer a paz e só enxergar a sua necessidade quando nos vem chegando a guerra interior e particular.
E temos a mania de não agradecer... de não entender ou de entender por demais... de não perdoar ou de aceitar sempre...
No fim das contas vem a vida e acerta tudo com o ponteiro rígido aparando mil e uma arestas.
Vem o tempo e atravessa as portas, adentra pelas janelas, não cumprimenta ninguém e ainda leva o que se julga ser dono.
Leve... Ora, que leve!
E que seja sempre assim, mas que ele me deixe a mania de encontrar seu abraço em qualquer canto e seu cheiro em meu corpo...
E só!
(Por: Livia Queiroz)
sábado, 16 de janeiro de 2010
Surpresa...
Nada se move.O amor é cego.
E eu derreti as letras de seu nome.
E uma flor largada longe,
ao norte,
milhas e milhas daqui...
Fazia frio quando fechou a porta
pelo lado de dentro.
Você não me parece mais a mesma,
(E quem de fato o é?)
Tudo parece você.
Nada é como você [...]
Já não serve pra nada o desejo de estar por perto[...]
Derreti ao longe - milhas e milhas daqui -
as letras do seu nome,
as cores de suas roupas,
as presilhas de cabelo,
o nó que nos atava,
o lençol que te cobria,
a magia sonsa dos grandes amores...
(Por: Livia Queiroz)
domingo, 3 de janeiro de 2010
Pintura
Esfregas sobre minhas carnes teu pelo macio
De forma que ao cheirar-te,
rente à minhas narinas,
sinto teu sal abaixo de minha língua.
O que há tempos passados
enlouquecer-me-ia em estágio puro de repugnância,
causa-me agora um fervor rígido
pela coluna sabiamente emoldurada.
Ao passo que o passo se engole
o rigor das horas,
dos quilômetros por hora,
dos metros por minutos,
das areias arrancadas pelo vento,
Ao passo que o passo se devora,
meu passo faz volta anti-horária
e pára frente a tua porta.
Meia noite,
e somente tua silhueta se oferece
para que eu lhe coma
com todo meu instinto
e com toda minha ternura.
Para que eu lhe xingue
tal qual uma vadia
que pede mais um gole sempre.
Para que lhe derrame
minha sombra liquida e quente,
e rasgue teus últimos pudores de boa moça
enquanto arranha-me as costas
e entre os lábios prendes a minha carne,
morna, leve.
Tua.
E se me pedires um poema,
direi que não és uma causa pra poema,
Envergonhas a palavra,
Envergonhas o amor
Envergonhas a vergonha.
Somente o teu pelo
a esfregar-se por minha barriga
far-me-ia mudar a idéia tola
de que não serves para um poema,
um verso que seja.
Engulo-te e cuspo.
Sugo-te e regurgito-te.
És apenas pintura magoada.
Mulher dessas mulheres todas
que atravessam ruas
e olham pelos cantos dos olhos
a quem lhes ousa um cumprimento ainda que vulgar.
És mulher dessas mulheres
que pensa estar ao alto,
e no entanto sou eu quem te alcança
e lhe pega em cheio
como que uma pancada na nuca.
Deixas de ser suave,
pois a meia noite tua silhueta te ofereces
a mim para que eu lhe coma.
Como a mais sabia das putas,
esperas-me na mesma esquina todos os dias.
Ai de ti se eu não for!
(Por: Livia Queiroz)
Nota: Não conheço a personagem do poema, eu juro, mas se alguém conhecer por favor me avise! rsrsrsrsrsrs
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Enchente

Tudo o que eu sei é que eu preciso da poesia.
Do desespero. Da suavidade.
Do lamento. Da fé.
Do tormento, atormento. Ah, tormento
E o corpo, forma em que minh'alma se faz gente
ora palpita ora submerge.
Só sei que preciso...
Cada rima solta em ritmo emoldurado
Enfileirado, enlouquecido
Cada carreira de alguém que declame-as
feito um tolo-louco-amante...
Eu preciso
Tudo o que sei é a poesia ao contrario
Que vem dos pés à cabeça e me deita
Me encolhe feito menino ainda arredio
sei os quês da dor, da morte, da agonia
tembém preciso
Cada verso reto, incorreto, entalhado
sentindo, inspirado, imaginado
Cada tilintar aos ouvidos
Eu preciso
Porque o que eu conheço é poesia ao contrario
dos pés a cabeça e que depois de declamada
encontra o sentido horario
E depois de proferida
corta-me a alma ao meio...
Sou um tonto. Sou um louco.
mas ela me toma por inteiro
Corta-me em rima,
Entrelaça-me em verso,
menino arredio que fui
amante que sou..
pó que serei
tudo o que sei é que eu preciso de poesia
como uma falta constante do que me é farto
porque depois de proferida,
ela me volta ao peito
e eu ainda tonto
só sei que sem ela não vivo.
(Por: Livia Queiroz)
domingo, 15 de novembro de 2009
Lenta
Corre ligeiro. Por que corres assim?
Mais dia é menos dia, vida minha!
Trago na palma da mão as cores que sublinho:
A cor morna dos seus olhos;
A cor do nosso encontro e a dos nossos lençóis;
O fosco dos paralamas e pára choques e pára brisas e pára raios,
mas não repara, não,
minha escrita pobre e confusa;
Há ainda o azul marinho da noite que tem mais e mesmo a cor de quando voce não está;
Eu te rabisco o Soneto de Fidelidade no meu papel de rascunho e jogo debaixo de sua porta.
Queimo-me de você a cada hora, a cada olhar em carne viva.
Minha carne.Viva.
Ardo.
Pronuncio seu nome bem baixinho,
de forma quase rouca
por conta desse seu cheiro
que me atrasa o ritmo.
(Por: Livia Queiroz)
sábado, 7 de novembro de 2009
(Contra)ditória

Ninguém tinha medo dela. Muito menos respeito: "artistazinha de merda".
De merda... De medo...
Qualquer um - muito embora, nenhum qualquer um sem nome e sobrenome fosse capaz de se aproximar - qualquer um devidamente registrado, seria capaz de entender-lhe a alma... oscilante.
{E eis que descubro que tenho tesão pela palavra ALMA. É o que mais interioriza o ser humano e além disso: hamuniza-o}
Dia desses, próxima semana talvez, as tintas, as telas, as olheiras lhe subam ao mesmo tempo ao cérebro causando quem sabe um risco em verbo estridente, caso possam imaginar... E talvez ela pinte sua última obra gotejando qualquer brando desejo de voltar ao mundo de antes.
Ela, morreu sem morrer.
Todos passam por ela.
Quem ela é?
(Por: Livia Queiroz)

