sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 9 )

Lara ficou internada por alguns dias, e durante todo esse tempo o mal estar de Natália perdurou, ela chegou a ir ao médico, fez alguns exames, mas o problema não era físico. Ficou em repouso, cuidou da alimentação e dias depois estava bem. Havia uma conexão desconhecida entre as duas e esta fazia com que uma “sentisse” a outra. Parecia estranho, mas desde que Natália começou a se sentir mal, passara a pensar em Lara com mais intensidade, mas fazia questão de afastar de si aquele pensamento.
Já em casa, Lara pedia com todas as forças que ainda possuía para que Natália resolvesse aparecer, e para que quando o fizesse ainda tivesse tempo de falar o que tanto desejava à ex. Naquelas condições Lara não sabia mais o que podia acontecer, nem quais seriam as outras limitações que lhe acometeriam. Não pedia à Deus que lhe tirasse as dores, que parasse os vômitos, que a curasse milagrosamente do maldito tumor. A única coisa que queria e que pedia era para ver Natália, mas à cada dia que o fazia, essa possibilidade parecia mais distante.

Silvia via tudo aquilo com o coração sangrando, não sabia como ajudar Lara, e mesmo que quisesse procurar Natália, sabia que não seria recebida e caso fosse, poderia trazer pra Lara um sofrimento maior do que o que ela já estava mergulhada. O coração não estancava de jeito algum e parecia que conversar já não adiantava. Por esse motivo Silvia resolveu entrar em contato com Dr. Ricardo que no mesmo dia arrumou uma hora em sua agenda e foi à casa de Lara.

- Ricardo! – surpreendeu-se Lara, abraçando Ricardo que se ajoelhara ao lado da cama – Que surpresa boa!
- Desculpe não ter vindo antes. – disse o psicólogo enquanto se levantava.
- Vem, senta aqui. – disse Lara batendo com a palma da mão sobre a cama.
- Me diga, como você está? – indagou, logo após se acomodar.
- Ah, eu to me sentindo bem hoje. Fiquei internada, mas já era de se esperar.
- É, eu soube.
- Tem dias que me sinto melhor, mas tem dias que...
- Entendo.
- Sabia que Natália não veio?
- Não? – fingiu não saber – Poxa, que pena! Mas ela disse que viria?
- Disse. Mas parece que ela nunca pode, ou nunca quer.
- Larinha – disse enquanto segurava sua mão – já é hora de concentrar suas forças em coisas mais importantes.
- Isso é importante pra mim! – disse Lara, puxando a mão, tamanha a decepção com a incompreensão de Ricardo.
- Eu imagino que seja. Mas, porque não priorizar as coisas em sua vida?
- Escute Ricardo, eu soube desse maldito tumor, eu aceitei que não tinha cura, eu não maldisse à Deus, não mendiguei nada. Ele sabe o quão tem sido difícil. Eu não tenho mais nada a perder, a única coisa que eu quero é vê-la e falar com ela.
- Mas talvez ela não queira.
- Eu sei.
- Por que não conta pra ela?
- Pra ela vir aqui por pena?
- Se ela te ama, ela não virá por pena. E se por acaso vier, você vai saber e vai repensar se vale à pena desprender tanta energia e amar alguém que nutre pena por você.
- Não vou contar.
- Você é quem sabe. Mas cuidado...
- Não entendo.
- Você tá obcecada para falar com Natália que não nota quem está ao seu lado.
- Silvia te ligou e contou o que não devia?
- Não. Silvia me ligou e me contou seu estado, eu me preocupei e aqui estou, mas percebo que ela quer te ajudar. Por isso me procurou. Ninguém sabe mais o que fazer pra te ajudar quanto à isso, Lara. Eu não posso simplesmente ir atrás de Natália, Silvia muito menos. E você, a única que pode procurá-la, contar o motivo pelo qual quer vê-la não o faz.
- Você não entende... Não quero falar disso com ela.
- Já passou pela sua cabeça que ela não quer vir porque acha que vai perder tempo? Porque acha que você vai querer reatar ou algo do tipo?
- Já.
- Eu quero te ajudar Lara. Porque não quero te ver com esse coraçãozinho triste, você tem muito mais com o que se preocupar pra ficar sofrendo à toa. E se você me autorizar eu procuro Natália, converso com ela e...
- Nem pense nisso – gritou Lara, estava ficando nervosa e as lágrimas caiam sem controle.
- Tudo bem. Vem aqui – disse com ternura, puxando-a para si e fazendo com que ela recostasse a cabeça em seu peito até que serenasse novamente.
- Estou me sentindo cansada. – disse Lara limpando o rosto.
- Vou embora, e deixar você descansar. Mas Lara, se mudar de idéia me ligue. E não esqueça que pode contar comigo. – disse dando-lhe um beijo estalado na testa.
- Obrigada. Desculpe-me por eu ter me exaltado.
- Não se desculpe. E fique bem tá? Ah, tive uma idéia: escreva.
- O que?
- Tudo o que você pensar, desejar, sentir. Apenas escreva. Pode ser bom.
- Vou pensar. – disse, com um riso meio murcho enquanto observava Ricardo a sair pela porta.


POR: LIVIA QUEIROZ

(CONTINUA...)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 8 )

- Então é assim? Ela vai embora de casa viver as aventurinhas pecaminosas, se dá mal, aí manda você me ligar? – gritava a mãe de Lara ao telefone.

- Desculpa D. Agnes, mas acho que a senhora não entendeu. Ela não me pediu que te ligasse, mas quando eu sugeri, ela concordou. O estado de Lara é grave, deixe-me explicar de novo.

- Nem pensar! Lara que se vire. Isso é castigo de Deus, por todos os pecados e orgias que vocês praticaram.

- Como diz isso? Você é mãe dela. – dizia Silvia indignada. – Não houve pecado algum, muito menos orgias. Somos homossexuais e não promíscuas.

- Essa é boa. Pra mim dá no mesmo. Escute aqui, não me interessa o que Lara tem. Não é de minha conta, ela deixou de ser minha filha no dia em que saiu por aquela porta pra se casar com você, entendeu?

- Não somos mais casadas D. Agnes. Separamos-nos há dois anos.

- Não me interessa. Já disse, a vida dela não me diz respeito.

- Tudo bem, é sua escolha. Espero que não se arrependa, poderia me dar o telefone do pai de Lara? Preciso falar com ele.

- Eu não tenho – mentiu.

- Tudo bem.

Agnes caiu em prantos ao desligar o telefone, mas o seu orgulho e seu preconceito a impediam de amar e aceitar a filha como ela era e provavelmente a impediria de ao menos visitá-la uma vez que fosse, fazendo com que seu coração se banhasse no lodo do arrependimento – uma capa feia e pesada que torna o outro lado da rua mais distante do que ele realmente é.

Quando Lara saiu de casa, aos 18 anos, fora viver com Silvia. Não a amava, mas estava muito envolvida e muito feliz, pensou que aprenderia a amá-la, namoraram quase dois anos, e depois se separam, numa boa. Tanto que continuaram amigas.

Tempos depois Natália apareceu na vida de Lara e ela se apaixonou de verdade pela primeira vez. Naty morria de ciúmes e dava crises terríveis quando o assunto era a amizade entre Lara e Silvia. Aos poucos tudo foi se ajeitando, mas por conta de grandes desentendimentos e pouco diálogo os corações, antes apaixonados, começaram a ficar machucados e o amor foi murchando dolorido. E nada mais podia ser feito. Conversaram e também terminaram. Ambas sofreram muito durante muito tempo, mas que podiam fazer senão se conformar?

Durante muitos meses Lara aceitou. Tiveram muitas discussões por causa desse tal amor inacabado. Volta e meia Natália magoava Lara, talvez, sem nem perceber, mas o fazia. Ou talvez Lara estivesse frágil demais. Vai saber... Mas sempre acabava do mesmo jeito: Lara desculpava as mancadas de Natália e seguia magoada, tentando estancar as feridas. E Natália seguia seu rumo, sem prumo, sem sentido, aceitando tudo, até o amor que lhe fora dado por “um tal de namorado” que resolvera arranjar – para desespero de Lara.

Por fim, veio a pior das discussões. Com os ânimos pra lá de exaltados, Lara acabara por magoar Natália na mesma intensidade que a mesma a magoara durante todo o tempo em que ficaram separadas, e a diferença é que Lara sabia lidar com a dor, mas Natália não soube. E pior, não soube lidar com o amor, aquele que entende, que perdoa e que releva alguns tropeços. Essa discussão acabou com um “me esqueça, abri mão de você”, que Lara guardaria para todo o sempre.


POR: LIVIA QUEIROZ

(CONTINUA...)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 7 )

Natália passara todo aquele tempo em paz... Não mais queria contato algum com Lara. A verdade é que havia se magoado muito depois da última discussão que as duas tiveram. E com razão, Lara falou coisas que não se fala a quem se ama, mas o ciúme que sentia da ex a deixou cega e a fez perder a razão. Palavras malditas. Isso sim! Natália não tinha a pretensão de encontrar Lara, e não faria nenhum esforço para tal. Quando decidiu esquecer, o fez, sem pensar no amor que sentira antes. E, se por um lado Lara falou sem pensar, por outro, Natália abriu mão do amor mais puro e verdadeiro que já vivera, sem ao menos lembrar que todos merecem uma segunda chance, dessa forma, nessa história de amor só houve perdedoras.

Natália via-se por muitas vezes curiosa para saber qual o motivo da insistência de Lara, e pensava que era apenas peso de consciência e que a ex iria argumentar, tentar explicar, tentar reatar o que já havia se partido. E isso, para Naty, era uma coisa impensável, não poderia e nem queria tentar novamente, ou pelo menos, achava que não queria. “Lara acabou com nosso amor”, dizia a si mesma, “não fui eu, portanto, ela que passe bem com a própria consciência”, porque era muito mais cômodo se isentar de toda culpa e mais fácil aceitar o fim do relacionamento fazendo de conta que era apenas uma vítima.

Fato é que é preciso maturidade para assumir a sua parcela de erro, e mais ainda para aprender a se perdoar antes de perdoar o outro. Natália ainda não conseguia lutar com as próprias pernas, e por comodismo não achava mais que aquele amor era grande coisa. Pusera-o na balança com todos os seus outros problemas e viu que esse era o último e menor. Seria mais fácil assim.

O sábado passara rápido e já era fim de tarde, Natália sentiu uma tontura repentina. Estava só em casa. Tomou um copo d’água bem gelado e resolveu deitar até que passasse o mal estar.
“Deve ser o calor”, pensou.

Longe dali, caminhando na areia da praia e sob os raios atentos do por do sol, Lara tivera mais uma crise, e dessa vez, seu estado se agravara muito, tanto que ela teve de ser hospitalizada ás pressas. As dores de cabeça eram insuportáveis e pelo que se sabia à respeito, nada mais melhoraria. Era uma questão de tempo.
Na sala de espera, Silvia, de olhos inchados e esbugalhados fixados num ponto da parede à sua frente, arranjava forças para rezar:
- Meu Deus, sei que eu deveria estar pronta pra isso. Mas eu não estou. Por favor, me ajude a ampará-la, me dê forças para ajudar no que for preciso. Larinha é tudo pra mim! É a única que eu amei e amo como amiga, como companheira, cúmplice, pessoa... Foi meu maior presente. Por favor, meu Deus. Ela é tudo que eu tenho.

Tão mergulhada em sua conversa com Deus, Silvia não notou a presença da Dra. Lucia, a médica de Lara.

- Silvia, – disse, usando um tom sereno embora fosse tensa a situação – Desculpe atrapalhar sua oração.
- Como ela tá?
- Agora tá dormindo. Lhe demos um sedativo, porque a dor era insuportável.
- Santo Deus! – disse Silvia em meio à lágrimas. – Se eu pudesse trocava de lugar com ela.
- Não diga isso. – tornou a médica, sentando na poltrona em frente à Silvia e segurando as suas mãos como que a confortá-la – É muito nobre o sentimento que você nutre por Larinha, mas entenda que esse aprendizado é dela, não seu. O que ela precisa é que você seja forte e permaneça a seu lado.
- Sempre. Eu a amo.
- Sou médica de Lara desde quando ela tinha dezesseis anos e isso já se vai algum tempo. Foi quando ela teve seu primeiro tumor. Nessa época foi até mais simples, porque descobrimos logo e...
- Eu sei... Ela me contou...
- Creio que você saiba as condições de Lara agora. E o quão difícil está sendo. E não posso mentir nem omitir nada... – pausou tentando criar coragem.
- Não precisa me dizer isso. Eu sei como vai terminar, mas, por favor, eu não quero ouvir isso.
- Tudo bem. Eu penso, que talvez fosse a hora de avisar à família dela. Informar o real estado de Lara, entende?
- Eu preciso da aprovação de Lara, doutora.
- Claro. Pois então, quando ela acordar, conversem à respeito. Se quiser pode ficar no quarto com ela.

Silvia forçou um sorriso, que quase não saiu, para agradecer enquanto se dirigia ao quarto 301.

POR: LIVIA QUEIROZ

(CONTINUA...)

domingo, 28 de novembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 6 )

Não é preciso dizer que aos poucos o tumor no cérebro de Lara foi aumentando o que ocasionava dores de cabeça cada vez piores. A operação para a retirada do nódulo não podia ser feita por que o mesmo se encontrava em uma região que impossibilitava o procedimento cirúrgico. Assim sendo, Lara esperou que o seu tempo terminasse, suportando as dores, os vômitos cada vez mais constantes, a perda de peso devido à falta de apetite, problemas com a coordenação motora, as mudanças repentinas de humor... e como não mantinha contato com a família, ninguém soube do que lhe acontecia, só quem estava sempre por perto era Silvia, que se mudou para a casa da amiga na tentativa de ficar mais próxima e poder ajudá-la. Lara havia se afastado do trabalho e dos estudos, pois já não tinha mais condição de continuar

Aquela manhã estava sendo particularmente difícil. A médica de Lara já havia passado por lá e lhe dado uma injeção para diminuir suas dores, mas com o passar de todo aquele tempo o organismo se acostumara à medicação e quase já não adiantava tomá-la.
Silvia pedia à Deus para que a amiga sofresse o menos possível:
- Meu Deus, nós já aceitamos Sua vontade. Mas por favor, não deixe Larinha sofrer tanto. – orava na cabeceira da cama de Lara, tamanha a devoção e o amor que sentia por ela.

Depois da oração, Lara parecia haver serenado, o rosto adormecido, antes enrijecido por conta da dor de cabeça, dera lugar a um semblante calmo, que aparentemente dormia em bons sonhos. E perdurou a manhã inteira a calmaria. Por volta das treze horas Lara acordou e aparentava melhora:
- Olá Bela Adormecida – cumprimentou Silvia dando-lhe um beijo na testa.
- Oi. Bom dia – disse sorrindo.
- Boa tarde né? Como se sente?
- Melhor. E você?
- Eu to bem. Tá com fome?
- Um pouco.
- Oba, então vamos almoçar, fiquei aqui lendo e as horas voaram.
- Vamos. Mas não to com muita fome.
- Tudo bem, coma só um pouquinho. Tá uma delícia, fiz ensopadinho, você adora.
- Hummmm... Adoro os fins de semana em que você cozinha pra gente?
- Você quer dizer TODOS os fins de semana né? – enfatizou Silvia de forma engraçada.
- É. – riram.

O almoço corria agradável, Lara parecia realmente melhor, a conversa fluía e as duas riam de lembranças antigas, casos dos amigos...
Em determinado momento o assunto foi acabando e Lara foi ficando distante:
- Ei, viajou pra onde? – brincou Silvia
- Ah, desculpa, tava pensando...
- Em que?
- Deixa pra lá. – suspirou tristemente.
- Até já imagino...
- Ela não vem.
- Bem... Não a conheço, não sei dizer, mas já se passou tanto tempo...
- É. Ela não vem. Você me leva lá?
- Lara, isso é loucura! Se ela não veio talvez seja porque ela não queira te ver.
- Ela não quer me ver, mas eu quero vê-la. O certo então, é eu ir até ela né?
- Não concordo com isso. Vai ficar se machucando mais, pra quê?
- É, tem razão, ela pode nem me receber... – concordou meio a contragosto.
- Vamos mudar de assunto? Hoje é sábado, que tal uma caminhada na praia no fim da tarde?
- Oba! Eu topo.

POR: LIVIA QUEIROZ


(CONTINUA...)

sábado, 27 de novembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 5 )

Lara acordou com o coração repleto de esperanças... Uma sensação nova a preenchia: o gosto do novo.
Era o último dia do ano, e as pessoas confiavam no tempo como sendo o senhor maioral de todas as premissas. Era como se naquele dia os problemas parassem e a chegada da nova data anunciasse apenas as soluções para o que quer que fosse.

Lara ficaria em casa, pois recusara todos os convites que recebera para passar um réveillon supostamente inesquecível. Mas ela estava bem, muito bem aliás, naquele dia pôs a cabeça pra funcionar e passou a pensar em todas as coisas que tinha evitado: os sonhos que realizara e os que não realizara, os desejos, as coisas todas que compuseram seu aprendizado até ali. Esse foi o único dia em que ela não pensou em como deveria ser a morte ou ensaiou o que faria depois que seu espírito deixasse o corpo.
Nesse emaranhado de pensamentos o dia passou rápido, e logo a noite chegou. Lara estava só e na sua condição primordial: FELIZ DA VIDA!

À meia noite os fogos coloriram o céu e o peito acumulado de coragem, deu-lhe forças para pegar o telefone:
- Oi Natália. Sou eu, Lara.
- Sim.
- Feliz Ano Novo.
- Obrigada. – respondeu a ex, secamente.
- De nada. – falou Lara, ensaiando as palavras certas – Olha... eu queria muito conversar com você, aliás queria te ver e conversar pessoalm...
- Lara – Interrompeu Natália – muito obrigada por ter ligado. Eu desejo que você tenha um ano maravilhoso e que seja muito feliz, mas sinceramente não tenho motivos pra te ver ou conversar. Não faz sentido, entende?
- Entendo. Desculpe-me, mas eu preciso mesmo te ver.
- Quando eu puder eu vou aí, tá? Agora preciso desligar.
- Tudo bem.

E assim começava o ano de Lara: com a esperança de que as duas conversariam quando Natália pudesse, ou quisesse.
Depois da ligação, Lara deitou no sofá e adormeceu. Despertou mais tarde com a campainha tocando. Era Sílvia, amiga de longa e também ex namorada dos tempos antigos:
- Feliz Ano Novo! – disse com toda a animação enquanto abraçava Lara.
- Feliz Ano Novo Sil. – respondeu Lara com a mesma animação.
- E aí... vai fazer o que no primeiro dia do ano?
- Ficar em casa. Não to muito a fim de sair não.
- Hum... Tudo bem. Eu também não tava muito a fim de sair.
- Fica aqui comigo. Você pode cozinhar pra gente! Que tal? – brincou Lara.
- Ah, espertinha! Fazer o que né? – riu Silvia fingindo não ter outra opção.

Aproveitando o momento descontraído Lara contou à amiga, com quem tudo dividia, sobre o telefonema e sobre a forma como Natália se mostrara insatisfeita ao falar com ela.

- Ah Larinha, você também tá deixando que ela te faça de gato e sapato – disse a amiga em tom de reprovação.
- Não é isso. Ela se zangou comigo. Eu falei coisas ruins.
- Lara, todo mundo fala coisas ruins em algum momento. Quantas vezes ela te tratou mal? Quantas vezes te magoou com atitudes?
- Isso é passado. Já nem penso nessas coisas.
- Tá vendo? Você perdoou. Por que ela não pode fazer o mesmo?
- Não é simples assim Sil. E além do mais, as pessoas são diferentes.
- Ah, você é quem sabe. Só não acho justo você ficar dando murro em ponta de faca! Você precisa seguir em frente, viver o que é pra ser vivido e pronto. Deixa isso pra lá.
- Você sabe que não posso! E não creio que o maior problema nessa história seja a falta de perdão, acho que agora falta é amor. Ela não sente mais nada.
- É. Falta amor, sim – disse Silvia indignada – falta amor próprio, e de sua parte. Lara você é uma mulher linda, madura, incrível...
- Ah, pára com isso – sorriu sem graça.
- É verdade Lara, não é certo o que você ta fazendo consigo mesma. Porque dessa vez, sou obrigada a dizer, que é você quem está procurando pelo sofrimento.
- Quero me despedir. Só isso.
- O que? Vai contar pra ela? Tem necessidade?
- Não. Não vou contar. Mas queria vê-la mais uma vez.
- Ai Larinha, eu não sei se é uma boa ideia. Você pode se machucar mais ainda, e...
- Eu não tenho nada a perder. – disse com voz firme, colocando um ponto final na conversa.

POR: LIVIA QUEIROZ
[CONTINUA...]