domingo, 5 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 11 )

Lara pouco conversava, passava o dia inteiro deitada. Recebia as visitas dos colegas de trabalho, e alguns outros amigos, mas nenhum familiar havia aparecido, e ela parecia não se importar muito.

Ricardo e Silvia já eram suficientes, e a faziam se sentir muito bem, na medida do possível.
- Larinha, podíamos sair hoje – sugeriu Silvia.
- Sair? Assim?
- Assim como?
- Assim: CEGA!
- Que preconceito é esse Lara? O mundo tá cheio de deficientes visuais e eles não deixam de sair porque não enxergam. Muito pelo contrário, grande parte deles tem uma vida normal.
- Eu não sou como eles! – disse cabisbaixa
- É tão forte quanto!
- Não obrigada. Eu não quero sair, mas você deveria ir. Fica praticamente o tempo inteiro aqui comigo. Você tá de férias do trabalho e devia aproveitar. Ficar aqui é perda de tempo.
- Nunca mais diga isso! – respondeu com voz firme. – Não estou aqui por pena. Estou aqui por te amo e quero ficar ao seu lado, e vou ficar, à menos que você não queira.
- Eu não disse isso. Só acho que não vive mais a sua vida. Tem que sair, se distrair. Nem namorando você tá.
- Eu estou aqui por que quero estar, já disse. E eu vivo minha vida, sim. E caso não saiba, você também é parte de minha vida.

Lara engoliu seco. Sentiu vergonha de si mesma e de sua atitude. A amiga era quem a apoiava e ali estava ela, discutindo com Silvia sem sentido. Se exaltando à toa.
- Me desculpe – disse de cabeça baixa.
- Está tudo bem. – respondeu Silvia passando a mão no rosto de Lara.
- Tenho sido egoísta demais. Vivo no meu mundo e não me dou conta às vezes de que você está aí, ao meu lado. Fico o tempo inteiro falando de uma outra mulher, sem nem notar que posso estar te magoando. Faço apenas o que eu quero e você também só faz o que quero. Por favor, me desculpe.
- Larinha, não se preocupe com isso. Você não me magoou e nem me magoa. Somos amigas e você pode falar o que quiser comigo. Eu te amo como amiga também.
- Eu também. Não quero mesmo sair, mas vamos pedir uma pizza.
- Huuum. Boa idéia.


POR: LIVIA QUEIROZ

(CONTINUA...)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 10 )

As coisas não iam bem, e Lara piorava à cada dia. Voltara mais duas vezes ao hospital.
Os vômitos eram muito mais intensos, as dores de cabeça constantes e Lara passara a apresentar grande dificuldade para segurar os objetos, perdeu e muito a sensibilidade no tato, além de quase não levantar da cama.
Mas mesmo com toda a gravidade da situação Lara não se deixara abater, e mais, não deixava de orar, de agradecer a Deus por todas as coisas maravilhosas que vivera até ali.

- Como se sente? – era Silvia adentrando no quarto e abrindo a janela para o sol iluminar melhor o ambiente. Lara havia acabado de acordar, mas matinha os olhos fechados. Era cedo ainda.
- Bem. – disse com certo receio. Ainda de olhos fechados. – Que horas são?
- Sete e meia. Pensei que poderíamos caminhar um pouco na praia, tomar água de coco. Se você estiver se sentindo disposta, claro.

Lara abriu os olhos, mas ficou em silêncio. A respiração começou a ficar descompassada fazendo com que ela se sentasse na cama e chorasse copiosamente. Silvia assustada com a que via, puxou Lara para si e abraçou-a, achando que Lara tivesse acordado de um sonho ruim, ou tivesse feito ou recebido uma ligação desagradável de Natália.

- Calma Larinha, calma. – dizia enquanto embalava Lara na tentativa de acalentá-la. – Você ta se sentindo mal?
Com muito esforço Lara foi se acalmando e conseguiu, em meio a soluços, sussurrar:

- Eu... Eu... Eu não to enxergando.
Tá tudo escuro. Eu to cega

Parecia que um buraco negro abriu-se sob os pés das duas. Silvia procurou manter a calma, afinal precisava apoiar Lara.

- Vou ligar pra Dra. Lucia. – disse pegando o telefone, enquanto observava Lara com o olhar perdido e inundado.

Em poucos minutos Lucia já estava a examinar Lara:

- Lara, nós sabíamos que isso podia acontecer.
- Vou ficar cega então? É isso?
- Por ora só posso te dizer que sim. Quero que vá às onze no meu consultório para fazermos uns exames. Tudo bem?
Lara nada respondia, permanecia seria e calada, estava ainda digerindo aquilo.

- Estaremos lá. – respondeu Silvia.

Parecia que de uma vez só, toda a força e vitalidade de Lara desapareceram junto com a visão. O brilho morrera da noite pro dia. Os exames foram feitos e ficaram prontos confirmando que dali pra frente a vida de Lara seria no escuro. A dor invadiu a casa sem licença nem nada. A amargura de Lara a trancafiava dentro de sua própria alma.
Ricardo passara a visitar Larinha três vezes por semana e ajudava Silvia a agir de maneira a não ferir o pouco brio que lhe restava.

- A família dela já sabe? – indagou Ricardo.
- Há algum tempo atrás, liguei pra mãe dela e contei como ela estava, mas isso foi bem antes de o estado dela se agravar.
- E...
- Sem chance. D. Agnes não quer nem saber da filha.
- Então nós seremos a família dela.


POR: LIVIA QUEIROZ


(CONTINUA...)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 9 )

Lara ficou internada por alguns dias, e durante todo esse tempo o mal estar de Natália perdurou, ela chegou a ir ao médico, fez alguns exames, mas o problema não era físico. Ficou em repouso, cuidou da alimentação e dias depois estava bem. Havia uma conexão desconhecida entre as duas e esta fazia com que uma “sentisse” a outra. Parecia estranho, mas desde que Natália começou a se sentir mal, passara a pensar em Lara com mais intensidade, mas fazia questão de afastar de si aquele pensamento.
Já em casa, Lara pedia com todas as forças que ainda possuía para que Natália resolvesse aparecer, e para que quando o fizesse ainda tivesse tempo de falar o que tanto desejava à ex. Naquelas condições Lara não sabia mais o que podia acontecer, nem quais seriam as outras limitações que lhe acometeriam. Não pedia à Deus que lhe tirasse as dores, que parasse os vômitos, que a curasse milagrosamente do maldito tumor. A única coisa que queria e que pedia era para ver Natália, mas à cada dia que o fazia, essa possibilidade parecia mais distante.

Silvia via tudo aquilo com o coração sangrando, não sabia como ajudar Lara, e mesmo que quisesse procurar Natália, sabia que não seria recebida e caso fosse, poderia trazer pra Lara um sofrimento maior do que o que ela já estava mergulhada. O coração não estancava de jeito algum e parecia que conversar já não adiantava. Por esse motivo Silvia resolveu entrar em contato com Dr. Ricardo que no mesmo dia arrumou uma hora em sua agenda e foi à casa de Lara.

- Ricardo! – surpreendeu-se Lara, abraçando Ricardo que se ajoelhara ao lado da cama – Que surpresa boa!
- Desculpe não ter vindo antes. – disse o psicólogo enquanto se levantava.
- Vem, senta aqui. – disse Lara batendo com a palma da mão sobre a cama.
- Me diga, como você está? – indagou, logo após se acomodar.
- Ah, eu to me sentindo bem hoje. Fiquei internada, mas já era de se esperar.
- É, eu soube.
- Tem dias que me sinto melhor, mas tem dias que...
- Entendo.
- Sabia que Natália não veio?
- Não? – fingiu não saber – Poxa, que pena! Mas ela disse que viria?
- Disse. Mas parece que ela nunca pode, ou nunca quer.
- Larinha – disse enquanto segurava sua mão – já é hora de concentrar suas forças em coisas mais importantes.
- Isso é importante pra mim! – disse Lara, puxando a mão, tamanha a decepção com a incompreensão de Ricardo.
- Eu imagino que seja. Mas, porque não priorizar as coisas em sua vida?
- Escute Ricardo, eu soube desse maldito tumor, eu aceitei que não tinha cura, eu não maldisse à Deus, não mendiguei nada. Ele sabe o quão tem sido difícil. Eu não tenho mais nada a perder, a única coisa que eu quero é vê-la e falar com ela.
- Mas talvez ela não queira.
- Eu sei.
- Por que não conta pra ela?
- Pra ela vir aqui por pena?
- Se ela te ama, ela não virá por pena. E se por acaso vier, você vai saber e vai repensar se vale à pena desprender tanta energia e amar alguém que nutre pena por você.
- Não vou contar.
- Você é quem sabe. Mas cuidado...
- Não entendo.
- Você tá obcecada para falar com Natália que não nota quem está ao seu lado.
- Silvia te ligou e contou o que não devia?
- Não. Silvia me ligou e me contou seu estado, eu me preocupei e aqui estou, mas percebo que ela quer te ajudar. Por isso me procurou. Ninguém sabe mais o que fazer pra te ajudar quanto à isso, Lara. Eu não posso simplesmente ir atrás de Natália, Silvia muito menos. E você, a única que pode procurá-la, contar o motivo pelo qual quer vê-la não o faz.
- Você não entende... Não quero falar disso com ela.
- Já passou pela sua cabeça que ela não quer vir porque acha que vai perder tempo? Porque acha que você vai querer reatar ou algo do tipo?
- Já.
- Eu quero te ajudar Lara. Porque não quero te ver com esse coraçãozinho triste, você tem muito mais com o que se preocupar pra ficar sofrendo à toa. E se você me autorizar eu procuro Natália, converso com ela e...
- Nem pense nisso – gritou Lara, estava ficando nervosa e as lágrimas caiam sem controle.
- Tudo bem. Vem aqui – disse com ternura, puxando-a para si e fazendo com que ela recostasse a cabeça em seu peito até que serenasse novamente.
- Estou me sentindo cansada. – disse Lara limpando o rosto.
- Vou embora, e deixar você descansar. Mas Lara, se mudar de idéia me ligue. E não esqueça que pode contar comigo. – disse dando-lhe um beijo estalado na testa.
- Obrigada. Desculpe-me por eu ter me exaltado.
- Não se desculpe. E fique bem tá? Ah, tive uma idéia: escreva.
- O que?
- Tudo o que você pensar, desejar, sentir. Apenas escreva. Pode ser bom.
- Vou pensar. – disse, com um riso meio murcho enquanto observava Ricardo a sair pela porta.


POR: LIVIA QUEIROZ

(CONTINUA...)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 8 )

- Então é assim? Ela vai embora de casa viver as aventurinhas pecaminosas, se dá mal, aí manda você me ligar? – gritava a mãe de Lara ao telefone.

- Desculpa D. Agnes, mas acho que a senhora não entendeu. Ela não me pediu que te ligasse, mas quando eu sugeri, ela concordou. O estado de Lara é grave, deixe-me explicar de novo.

- Nem pensar! Lara que se vire. Isso é castigo de Deus, por todos os pecados e orgias que vocês praticaram.

- Como diz isso? Você é mãe dela. – dizia Silvia indignada. – Não houve pecado algum, muito menos orgias. Somos homossexuais e não promíscuas.

- Essa é boa. Pra mim dá no mesmo. Escute aqui, não me interessa o que Lara tem. Não é de minha conta, ela deixou de ser minha filha no dia em que saiu por aquela porta pra se casar com você, entendeu?

- Não somos mais casadas D. Agnes. Separamos-nos há dois anos.

- Não me interessa. Já disse, a vida dela não me diz respeito.

- Tudo bem, é sua escolha. Espero que não se arrependa, poderia me dar o telefone do pai de Lara? Preciso falar com ele.

- Eu não tenho – mentiu.

- Tudo bem.

Agnes caiu em prantos ao desligar o telefone, mas o seu orgulho e seu preconceito a impediam de amar e aceitar a filha como ela era e provavelmente a impediria de ao menos visitá-la uma vez que fosse, fazendo com que seu coração se banhasse no lodo do arrependimento – uma capa feia e pesada que torna o outro lado da rua mais distante do que ele realmente é.

Quando Lara saiu de casa, aos 18 anos, fora viver com Silvia. Não a amava, mas estava muito envolvida e muito feliz, pensou que aprenderia a amá-la, namoraram quase dois anos, e depois se separam, numa boa. Tanto que continuaram amigas.

Tempos depois Natália apareceu na vida de Lara e ela se apaixonou de verdade pela primeira vez. Naty morria de ciúmes e dava crises terríveis quando o assunto era a amizade entre Lara e Silvia. Aos poucos tudo foi se ajeitando, mas por conta de grandes desentendimentos e pouco diálogo os corações, antes apaixonados, começaram a ficar machucados e o amor foi murchando dolorido. E nada mais podia ser feito. Conversaram e também terminaram. Ambas sofreram muito durante muito tempo, mas que podiam fazer senão se conformar?

Durante muitos meses Lara aceitou. Tiveram muitas discussões por causa desse tal amor inacabado. Volta e meia Natália magoava Lara, talvez, sem nem perceber, mas o fazia. Ou talvez Lara estivesse frágil demais. Vai saber... Mas sempre acabava do mesmo jeito: Lara desculpava as mancadas de Natália e seguia magoada, tentando estancar as feridas. E Natália seguia seu rumo, sem prumo, sem sentido, aceitando tudo, até o amor que lhe fora dado por “um tal de namorado” que resolvera arranjar – para desespero de Lara.

Por fim, veio a pior das discussões. Com os ânimos pra lá de exaltados, Lara acabara por magoar Natália na mesma intensidade que a mesma a magoara durante todo o tempo em que ficaram separadas, e a diferença é que Lara sabia lidar com a dor, mas Natália não soube. E pior, não soube lidar com o amor, aquele que entende, que perdoa e que releva alguns tropeços. Essa discussão acabou com um “me esqueça, abri mão de você”, que Lara guardaria para todo o sempre.


POR: LIVIA QUEIROZ

(CONTINUA...)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ascendente Câncer ( Parte 7 )

Natália passara todo aquele tempo em paz... Não mais queria contato algum com Lara. A verdade é que havia se magoado muito depois da última discussão que as duas tiveram. E com razão, Lara falou coisas que não se fala a quem se ama, mas o ciúme que sentia da ex a deixou cega e a fez perder a razão. Palavras malditas. Isso sim! Natália não tinha a pretensão de encontrar Lara, e não faria nenhum esforço para tal. Quando decidiu esquecer, o fez, sem pensar no amor que sentira antes. E, se por um lado Lara falou sem pensar, por outro, Natália abriu mão do amor mais puro e verdadeiro que já vivera, sem ao menos lembrar que todos merecem uma segunda chance, dessa forma, nessa história de amor só houve perdedoras.

Natália via-se por muitas vezes curiosa para saber qual o motivo da insistência de Lara, e pensava que era apenas peso de consciência e que a ex iria argumentar, tentar explicar, tentar reatar o que já havia se partido. E isso, para Naty, era uma coisa impensável, não poderia e nem queria tentar novamente, ou pelo menos, achava que não queria. “Lara acabou com nosso amor”, dizia a si mesma, “não fui eu, portanto, ela que passe bem com a própria consciência”, porque era muito mais cômodo se isentar de toda culpa e mais fácil aceitar o fim do relacionamento fazendo de conta que era apenas uma vítima.

Fato é que é preciso maturidade para assumir a sua parcela de erro, e mais ainda para aprender a se perdoar antes de perdoar o outro. Natália ainda não conseguia lutar com as próprias pernas, e por comodismo não achava mais que aquele amor era grande coisa. Pusera-o na balança com todos os seus outros problemas e viu que esse era o último e menor. Seria mais fácil assim.

O sábado passara rápido e já era fim de tarde, Natália sentiu uma tontura repentina. Estava só em casa. Tomou um copo d’água bem gelado e resolveu deitar até que passasse o mal estar.
“Deve ser o calor”, pensou.

Longe dali, caminhando na areia da praia e sob os raios atentos do por do sol, Lara tivera mais uma crise, e dessa vez, seu estado se agravara muito, tanto que ela teve de ser hospitalizada ás pressas. As dores de cabeça eram insuportáveis e pelo que se sabia à respeito, nada mais melhoraria. Era uma questão de tempo.
Na sala de espera, Silvia, de olhos inchados e esbugalhados fixados num ponto da parede à sua frente, arranjava forças para rezar:
- Meu Deus, sei que eu deveria estar pronta pra isso. Mas eu não estou. Por favor, me ajude a ampará-la, me dê forças para ajudar no que for preciso. Larinha é tudo pra mim! É a única que eu amei e amo como amiga, como companheira, cúmplice, pessoa... Foi meu maior presente. Por favor, meu Deus. Ela é tudo que eu tenho.

Tão mergulhada em sua conversa com Deus, Silvia não notou a presença da Dra. Lucia, a médica de Lara.

- Silvia, – disse, usando um tom sereno embora fosse tensa a situação – Desculpe atrapalhar sua oração.
- Como ela tá?
- Agora tá dormindo. Lhe demos um sedativo, porque a dor era insuportável.
- Santo Deus! – disse Silvia em meio à lágrimas. – Se eu pudesse trocava de lugar com ela.
- Não diga isso. – tornou a médica, sentando na poltrona em frente à Silvia e segurando as suas mãos como que a confortá-la – É muito nobre o sentimento que você nutre por Larinha, mas entenda que esse aprendizado é dela, não seu. O que ela precisa é que você seja forte e permaneça a seu lado.
- Sempre. Eu a amo.
- Sou médica de Lara desde quando ela tinha dezesseis anos e isso já se vai algum tempo. Foi quando ela teve seu primeiro tumor. Nessa época foi até mais simples, porque descobrimos logo e...
- Eu sei... Ela me contou...
- Creio que você saiba as condições de Lara agora. E o quão difícil está sendo. E não posso mentir nem omitir nada... – pausou tentando criar coragem.
- Não precisa me dizer isso. Eu sei como vai terminar, mas, por favor, eu não quero ouvir isso.
- Tudo bem. Eu penso, que talvez fosse a hora de avisar à família dela. Informar o real estado de Lara, entende?
- Eu preciso da aprovação de Lara, doutora.
- Claro. Pois então, quando ela acordar, conversem à respeito. Se quiser pode ficar no quarto com ela.

Silvia forçou um sorriso, que quase não saiu, para agradecer enquanto se dirigia ao quarto 301.

POR: LIVIA QUEIROZ

(CONTINUA...)