Breu...
Era pó, que se fez vida.
Mas ousou beber do veneno-amor e embriagou-se de vez. Morreu sem ser chão!
Por: Livia Queiroz


“Mal sabes tu o quão difícil é reluzir sob o breu noturno com a sombra celeste a testar toda a fé.”
Assobiam de manhã as andorinhas, as cotovias, e mais todos os pássaros do céu anunciando o igual da mesmice.
Somente Sophia destaca o dia terreno como algo fora do comum. Nada nela é forçado, nada é postiço.
O seu olhar me toma como que um redemoinho correndo para dentro de minha alma. Adoeço.
Dizem ser moça virgem. De fato, não sei, só sei que me causa sacolejos.
Seu andar é de quem flutua sobre os próprios pés e o vestido, sempre velho, sempre o mesmo, é constantemente segurado por conta do vento.
As mãos de Sophia são morenas, da cor que o sol deixou, e sublinham o meu mundo e há quem diga que ao vê-la pareço um tolo. Bobagem!
Sophia é prosa, é música lenta a amansar o espírito. Não me nega um cumprimento ainda que sem olhar-me a fundo.
Ela foi traçada em rima, esculpida pelo lado poeta de Deus e por dentro é aço e melodia, por fora é pele de gente e o seu cheiro arrebata qualquer humor com um laço certeiro.
Flor que desabrocha sem ter calma, e com maestria em qualquer estação. É a minha única certeza de fé, traz-me implosões repentinas sua existência posta por Deus ao meu alcance.
Sophia é deusa que não liga por ser mortal. É claridade generosa que não liga se é noite para poder brilhar.
(POR: LIVIA QUEIROZ)
Ela tem todos os nomes em um só papel. Segue corriqueira, vagando sozinha pelos claros e escuros. E é em minha cama que repousa, sem fé, sem gozo, sem pijama, sem nudez... Repousa a alma cansada e o jeito afoito, em meu corpo semi pronto.
Nada se move.Esfregas sobre minhas carnes teu pelo macio
De forma que ao cheirar-te,
rente à minhas narinas,
sinto teu sal abaixo de minha língua.
O que há tempos passados
enlouquecer-me-ia em estágio puro de repugnância,
causa-me agora um fervor rígido
pela coluna sabiamente emoldurada.
Ao passo que o passo se engole
o rigor das horas,
dos quilômetros por hora,
dos metros por minutos,
das areias arrancadas pelo vento,
Ao passo que o passo se devora,
meu passo faz volta anti-horária
e pára frente a tua porta.
Meia noite,
e somente tua silhueta se oferece
para que eu lhe coma
com todo meu instinto
e com toda minha ternura.
Para que eu lhe xingue
tal qual uma vadia
que pede mais um gole sempre.
Para que lhe derrame
minha sombra liquida e quente,
e rasgue teus últimos pudores de boa moça
enquanto arranha-me as costas
e entre os lábios prendes a minha carne,
morna, leve.
Tua.
E se me pedires um poema,
direi que não és uma causa pra poema,
Envergonhas a palavra,
Envergonhas o amor
Envergonhas a vergonha.
Somente o teu pelo
a esfregar-se por minha barriga
far-me-ia mudar a idéia tola
de que não serves para um poema,
um verso que seja.
Engulo-te e cuspo.
Sugo-te e regurgito-te.
És apenas pintura magoada.
Mulher dessas mulheres todas
que atravessam ruas
e olham pelos cantos dos olhos
a quem lhes ousa um cumprimento ainda que vulgar.
És mulher dessas mulheres
que pensa estar ao alto,
e no entanto sou eu quem te alcança
e lhe pega em cheio
como que uma pancada na nuca.
Deixas de ser suave,
pois a meia noite tua silhueta te ofereces
a mim para que eu lhe coma.
Como a mais sabia das putas,
esperas-me na mesma esquina todos os dias.
Ai de ti se eu não for!
(Por: Livia Queiroz)
Nota: Não conheço a personagem do poema, eu juro, mas se alguém conhecer por favor me avise! rsrsrsrsrsrs

