sábado, 3 de setembro de 2011

Alvoroço

Hoje, isso que escrevo, é em tom elevado. Fazem-se necessários gritos para que só depois venha a calmaria, a minha calmaria.

E é assim que a gente segue: VIVENDO! E é assim que vamos descobrindo a diferença entre o cinza e o diamante através do pouco que também somos.

Há algum tempo atrás, pensei ter encontrado terra firme. Era areia movediça. Segui, quase que afundando, dias e dias e dias, até que, quando me vi quase que irremediavelmente perdida, surgiu o que alguns chamariam de “luz ao fim do túnel”.

O que acontece é tão simples. Vamos indo à toa e descuidados aí vem a vida e Puf aperta o botão e ejeta o que não deveria ser sonho nosso...

Olhei, por longos dias, pra o lado de fora de minha janela e as flores padeciam murchas, sem encanto qualquer, mas eis que surge o alvoroço. A razão contempla o ato, encerra o fato e ora, me liberto outra vez.

Sim! Sou livre, e não importa o que caia ao meu redor. E isso não é egoísmo, é sensatez. Eu não ceio com quem me cava precipícios. Não me rebelo contra os meus valores. Eis a minha intocável e sacrossanta liberdade!

Não há mais luz alguma em fim de túnel, o que há agora, é uma lacuna simples e útil ao futuro. Há também algumas sensações idiotas e um pouco de vergonha diante do que reflete em meus olhos. Vergonha por ter absorvido o que não era real e ter tornado realidade o que não seria justo comigo. (Se soar como egocentrismo, que seja! As regras são minhas...)

Sobre a minha mesa jazem algumas fotos rasgadas e uns objetos sem destino, tal qual o que outrora me foi dito ser sentimento. Estou em paz agora. E que me venham os recessos da alma, os feriados, festas e o melhor: o que julgo sem desatino, ser meu.



Por: Livia Queiroz



domingo, 28 de agosto de 2011

Epílogo nº 04 - Discrepâncias


O perigo de um discurso falso ser repetido tantas e tantas vezes é que seu dono passe crer e a depender dele e , pior, enovelar outros muitos nesse emaranhado esdrúxulo.
Por fim há de enlouquecer esse sujeito quando notar
a contradição grotesca entre o que diz e o que de fato é.
É preciso tomar cuidado.
Distorções podem tornar ocas as almas...


(Por: Livia Queiroz)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Desca(n)so do Menino Poeta


O poeta de dentro anda cansado, sofrido, moribundo da vida e tudo, absolutamente tudo nele dói...
O poeta de dentro de casa tenta suportar angústia praticando-a em versos.
O poeta de dentro sente os ossos doerem, o corpo queimar e a respiração esvair-se.
O poeta vai sufocando-se de si mesmo, e ele sabe que às vezes precisa de um pouco de tristeza para dar a cor de um ou outro poema, mas ele é ainda tão menino pra entender disso tudo.
Ele, de certo, que pensa em trocar qualquer poema pra que essa dor se vá  de uma vez, porque, deitadinho no chão, ele vai se encolhendo, cheio de rima, e se apagando aos poucos.
O poeta de cá de dentro, anda esguio, doente, em estado de amarelidão, e há de deixar-se quebrar.
Ele é ainda só um menino cujo tempo lhe foi inimigo. É tão menino ainda que não separa, não mensura, não opta, não regula, não controla.
O poeta menino há de se estirar por uns tempos sob a terra, para um despertar adulto e compatível com as suas dores.
(Por: Livia Queiroz)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Epílogo nº 03




Declame sua partida,
em alto e bom som.

O resto - o rasgar de páginas -
deixe por minha conta!

Poesia tem essa coisa sofrida...
Um charme
Partidas tem alguma coisa poética...
O Fim.




Por: Livia Queiroz

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Ir-se

Destrancar as portas
Deixar que os ventos
rabisquem um novo destino
Tirar a lama do calçado
Repintar os porões
Reinventar novidades
Ir para o outro lado
sem saber o que há
Aparar as rebarbas
Retrabalhar o antigo papel
Reinventar tópicos
Retocar a maquiagem
e levantar bela, doce
pronta, apta, viva.
Ir-me
Não importa o quanto pareça doer...
Que doa!
Meu amor doa!



(Por: Livia Queiroz)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

As de Ouro

As de Ouro do poeta que jogou com tudo o que tinha e de volta guardou apenas o gosto amargo do que se arrependera tão tarde:


Era a última carta...
E havia uma poesia ainda não escrita relacionada á coisa alguma...
Por inteiro mesmo, havia só o destino que lhe embaralhava a sorte.
De certo que passaram por ali palavras arredias, dessas que não se permitem a captura...
Vai entender...

- Mas não se enganem, meus caros - sussurrou o pobre homem - Essa coisa de poesia completa, tal qual amor repleto, não existe!!




P.S.: Perdoe-me...Há desesperença nisso que hoje escrevo.



Por: Livia Queiroz

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Tragando Devaneios...

Rolo na cama, olho pro teto, paredes, conto e reconto os livros da prateleira descubro novecentos e noventa e nove defeitos, uma saudade e uma decepção.

Colas de amor já não surtem mais efeito, o remendo fica mal feito, feioso, sem acabamento. Depois olho rapidamente no espelho, brinco com as olheiras fundas oriundas das noites de clarão e por um instante chego a pensar que, se foi tudo em vão, então não vale à pena arriscar as mesmas coisas todas às vezes.

Do outro lado, há quem tente refazer, reatar, relembrar quão especial a vida tem sido... Quão generoso tem se mostrado o amor, mas de que adianta? Do outro lado há alguém que necessita de explicações, alguém que quer saber o que houve com os muros em volta de “nosso forte”.

E eu não sei explicar nada. Por mais palavras que possam existir, por mais poesias que possam dar o toque cintilante... Ainda assim eu não sei usar os motivos plausíveis... Trago meus devaneios e em baforadas arrítmicas e agoniadas solto os medos, e, sobretudo as dúvidas. Vão se queimando as possibilidades dos sonhos na outra ponta... Não consigo tragar o inverso.

Deus olha lá do alto desolado talvez... Desculpe-me, não é falta de fé, é falta de forças. E sim, talvez eu seja mesmo complicada como no sonho e talvez eu sinta a necessidade de dormir para sempre exatamente como no sonho e talvez eu não seja mais a pessoa ideal, e talvez meu espírito tenha se esvaziado por ora na tentativa de enxergar por outro ângulo...

Acendo outro, para tragar o fim de papo. É tudo muito inocente, e deveras singelo, embora sombrio e impróprio, um paradoxo difícil de segurar no trago. Trato de aparar as cinzas que justificam apenas as bobagens. De resto, me sobra um quarto com e sem fumaça.



Por: Livia Queiroz

P.S.: Só fumo metáforas.


Ideia de Título sugerida por Karolzão: TRAGRANDO SAUDADES (Vou guardar esse título pra um outro poema Lol)



domingo, 7 de agosto de 2011

Epílogo nº 02

Na nossa cama meu amor, espalham-se roseiras, moram todas as mais raras flores. Deita-se o desejo e derrete-se toda a gramática proibida.

No nosso quarto, Amor meu, decoramos as paredes em tons chamativos de felicidade e o chão é varrido para o amor se deitar sem a pressa dos relógios.

Na nossa casa, meu grande amor, repetem-se singelos os dias de rotina sem rótulos. Acordam ligeiros antes de nós, os minutos ansiosos para testemunhar o nosso Simples.

Nessa cidade, doce amor, as canções feitas nos decoram as extremidades do corpo. Os poemas declamados selam isso tudo. E o Sol se pondo, grita sua inspiração em raios que a Lua, por não ter brilho próprio, apenas aprecia.

Eis o nosso espetáculo de camas, quartos, cômodos, incômodos e beijos.

Eis o nosso resumo de vida toda: noite e lençóis...


(Por: Livia Queiroz)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

De cada Um...

Ontem, logo na manhazinha azul que mais parecia criança quando acaba de raiar pra vida, eu vi um homem morto...


Ele estava lá, como deixaram: camisa azul marinho e calça jeans, uma bota de couro de um preto velho e desgastado, a bicicleta azul e suja caída entre suas pernas...

E o homem lá: M O R T O...

Ninguém sabe o por quê. O mundo ficara silencioso de repente, para todos os que estavam a observar aquele tempo de ida sem volta. O dia raiava e o sem-vida, continuava lá caído, de rosto grudado no chão e saindo de sua boca, uma enorme mancha de sangue que envolvera todo o contorno da cabeça como um travesseiro: o conforto do último vestígio de vida se esvaindo de um corpo.

Havia uma palidez no rosto de quem o via, uma espécie de cara-parada...

Eu percebi, ali, quando olhei o homem estirado, que o que me impressiona na morte não é a vida ir-se, mas sim o desuso do corpo, a utilidade nenhuma do que se define como ser humano.

O que realmente impressiona na morte é o momento do estado “parado”, do jeito “duro”, da face sem expressão... Aquele homem ficou de repente com um “não” preso no olho semi-aberto que, penso eu, “será que esse olhar teve tempo de ver a cara de morte, à ponto de, se possível fosse, fazer um retrato falado?"


Assusta-me também a feição, e os sentimentos de piedade que sobrevoam em nuvem pelo ambiente, o caos silencioso que paralisa os desconhecidos, e a dor que chega em cada peito sem saber porque ali está...


Deixa-me curiosa essas impressões e expressões que o fim da vida tirada pinta em cada rosto personagem componente do cenário “vazio”: caricaturas fantasmagóricas testemunhas de um espelho...


Imagem : Google

Por: Livia Queiroz

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pontes Inesperadas...

Como saber se a outra metade do que foi um dia parte do mundo meu valeu à pena?
Como saber hoje, se fez algum sentido andar em vias contrárias e meter os pés pelas mãos?
Se agora, somente agora, muda, de dentro pra fora, o que eu julgava ser antes meu...
Sabe aquela plenitude que inquieta e que acalma a alma ao mesmo tempo?
Sabe aquela ida sem volta, com destino, sem escala, ao mais puro encanto, ao centro de tudo?
Sabe o misto de medo, dor, amor, desejo, paz e agonia se fazendo num só pote?
Sabe quando a doce brincadeira fica séria demais e o balanço do parque já não é mais suficiente?

É assim que esse amor me toma...
Num misto de novidades, sonhos e medos,
É assim que me surge o pranto baixinho,
Invocando a felicidade
e a necessidade de você pra sempre...
Por: Livia Queiroz

domingo, 12 de junho de 2011

Taça de corpo

Ah, e eu adoro "tudo isso".
Adoro quando o seu corpo
altera o sabor do vinho.

Adoro porque em suas caraterísticas fundamentais
O vinho, se mistura e dá um sabor novo
aos caminhos que minha boca percorre.

Adoro quando não sei mais se é vinho
se é corpo, se sou eu embriagada
Quando não há mais distinções
você, vinho, eu,
bocas, pernas, paladar
sentidos e partes do corpo confundidos.

Adoro quando o seu corpo
altera tudo:
a noite, o vinho, o gosto e a mim.


(Por: Livia Queiroz)

sábado, 4 de junho de 2011

Releitura de Amor nº 02

Escrito originalmente em: (15/11/2010)
(TEMPOS DIFÍCEIS)


Faz bem em reconstruir. Só é feio erguer muros ao invés de pontes, e se comportar como se nada acontecesse, se embreagar de sentimentos alheios e fingir que é amor o que na verdade não é.
Lembro-me de seu conselho: "Você tem que tentar"
E eu fraca ainda, dando asa ao medo dizia que não ia conseguir. Bobagem!
Todo mundo supera!
Todo mundo consegue!
Todo mundo se conforma!
Todo mundo sente dor e maldiz o amor, faz de conta que não entende mais de poesia, brinca de ser sombra por azar, perde as rédeas, fala o que não deve, faz o que não pode, rasga os planos inúteis.
Tudo por causa de um amor que se foi, porque amor que é amor não acaba, nem morre.
Ficamos patéticos.
Por fim o coração acalma, cansado de gritar. Arranja alguém pra preencher o vazio. Aprende a amar de novo e guarda o amor de antes na gaveta de baixo - porque esse amor de antes, do outro tempo, esse amor de verdade não morre nunca.

A gente se conforma.
Coração avisa que não quer mais doer. Pensamento só quer saber de desejo novo.

Faz bem em virar a página, mudar todas as coisas que não lhe serviram. Aceitei. Não dói mais.
Vamos em paz, e do meu testamento, você herdará as alegrias e os risos.


POR: LIVIA QUEIROZ

domingo, 22 de maio de 2011

Epílogo nº 01

Te amar é como ganhar um presente que não será usado por falta de ocasião.
Então, só me resta guardá-lo. Mantê-lo na embalagem mais linda da prateleira mais alta.
Aí, de vez em quando, eu o pego e - já que não posso usá-lo - apenas olho, arrumo, ajeito, limpo, faço reparos se necessário. E só!É o máximo que posso.
E assim vai sendo: Amor-presente guardado, e não usado por falta de... (Por falta de quê?)



Imagem: Google

Por: Livia Queiroz

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Toda metade

Tenho pensado em coisas pela metade.
Talvez porque
pela metade estão
todas as coisas
que gostaria de ter no "todo".

E pior,
pela metade,
meus poemas não servem...



Por: Livia Queiroz