terça-feira, 13 de setembro de 2011
Epílogo nº 05
Cometi exageros e saí trincando nos calcanhares.
Eu era ali, minha outra parte, a que acabara de ser reorientada.
Cortei nós pelas pontas, começando de baixo pra cima, e o rasgar do peito alterava todo o ritmo do "sentir".
Eu era só um estado presente ampliado com lente de aumento para ser visto de dentro antes da "limpeza".
Acabou.
Estava tudo ali: cartas todas na mesa, uso e desuso das mesmas.
Tirei o pó dos pés. Pus mochila nas costas e fui embora de vez.
Sem risco, olhei pra trás, só para reafirmar o que eu ja sabia: Não me faria falta.
Eu não sei lidar com dor.
E o que eu sintia ali era a dor pela dor, como um amontoado de espinhos fazendo sufocar o tempo.
Passou.
Apanhei a mochila enchi de liberdade; recolhi meu amor na intenção de amansá-lo e burilá-lo; amassei as partes defeituosas; ergui os ombros e o estado de espírito.
Não há santo que me mude o rumo!
(Por: Livia Queiroz)
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Sincronizando
Vamos pular todos os muros, no sentido inverso essa noite.
Vamos saltar os escombros com os quais construímos nossas vidas esses anos todos e, essa noite, vamos habitar o que é mesmo nosso.
Essa noite, deixa-me enxugar as lágrimas que te causei por não medir o peso das palavras e por não mensurar o que havia nos seus olhos-Lindos.
Deixaremos, essa noite, ser como já foi.
E eu sinto, hoje, o jeito do seu abraço e o cheiro dos seus cabelos. Exatamente como antes.
E amanhã, vais acordar no meu colo e ainda haverá tempo.
E do verso pra frente teremos todo tempo do mundo!!
(Por: Livia Queiroz)
sábado, 3 de setembro de 2011
Alvoroço
Hoje, isso que escrevo, é em tom elevado. Fazem-se necessários gritos para que só depois venha a calmaria, a minha calmaria.
E é assim que a gente segue: VIVENDO! E é assim que vamos descobrindo a diferença entre o cinza e o diamante através do pouco que também somos.
Há algum tempo atrás, pensei ter encontrado terra firme. Era areia movediça. Segui, quase que afundando, dias e dias e dias, até que, quando me vi quase que irremediavelmente perdida, surgiu o que alguns chamariam de “luz ao fim do túnel”.
O que acontece é tão simples. Vamos indo à toa e descuidados aí vem a vida e Puf aperta o botão e ejeta o que não deveria ser sonho nosso...
Olhei, por longos dias, pra o lado de fora de minha janela e as flores padeciam murchas, sem encanto qualquer, mas eis que surge o alvoroço. A razão contempla o ato, encerra o fato e ora, me liberto outra vez.
Sim! Sou livre, e não importa o que caia ao meu redor. E isso não é egoísmo, é sensatez. Eu não ceio com quem me cava precipícios. Não me rebelo contra os meus valores. Eis a minha intocável e sacrossanta liberdade!
Não há mais luz alguma em fim de túnel, o que há agora, é uma lacuna simples e útil ao futuro. Há também algumas sensações idiotas e um pouco de vergonha diante do que reflete em meus olhos. Vergonha por ter absorvido o que não era real e ter tornado realidade o que não seria justo comigo. (Se soar como egocentrismo, que seja! As regras são minhas...)
Sobre a minha mesa jazem algumas fotos rasgadas e uns objetos sem destino, tal qual o que outrora me foi dito ser sentimento. Estou em paz agora. E que me venham os recessos da alma, os feriados, festas e o melhor: o que julgo sem desatino, ser meu.
Por: Livia Queiroz
domingo, 28 de agosto de 2011
Epílogo nº 04 - Discrepâncias
Por fim há de enlouquecer esse sujeito quando notar
a contradição grotesca entre o que diz e o que de fato é.
É preciso tomar cuidado.
Distorções podem tornar ocas as almas...
(Por: Livia Queiroz)
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Desca(n)so do Menino Poeta

terça-feira, 23 de agosto de 2011
Epílogo nº 03
Declame sua partida,
em alto e bom som.
O resto - o rasgar de páginas -
deixe por minha conta!
Poesia tem essa coisa sofrida...
Um charme
Partidas tem alguma coisa poética...
O Fim.
Por: Livia Queiroz
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Ir-se
Deixar que os ventos
rabisquem um novo destino
Tirar a lama do calçado
Repintar os porões
Reinventar novidades
Ir para o outro lado
sem saber o que há
Aparar as rebarbas
Retrabalhar o antigo papel
Reinventar tópicos
Retocar a maquiagem
e levantar bela, doce
pronta, apta, viva.
Ir-me
Não importa o quanto pareça doer...
Que doa!
Meu amor doa!
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
As de Ouro
As de Ouro do poeta que jogou com tudo o que tinha e de volta guardou apenas o gosto amargo do que se arrependera tão tarde:
Era a última carta...
E havia uma poesia ainda não escrita relacionada á coisa alguma...
Por inteiro mesmo, havia só o destino que lhe embaralhava a sorte.
De certo que passaram por ali palavras arredias, dessas que não se permitem a captura...
Vai entender...
- Mas não se enganem, meus caros - sussurrou o pobre homem - Essa coisa de poesia completa, tal qual amor repleto, não existe!!
P.S.: Perdoe-me...Há desesperença nisso que hoje escrevo.
Por: Livia Queiroz
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Tragando Devaneios...

Rolo na cama, olho pro teto, paredes, conto e reconto os livros da prateleira descubro novecentos e noventa e nove defeitos, uma saudade e uma decepção.
Colas de amor já não surtem mais efeito, o remendo fica mal feito, feioso, sem acabamento. Depois olho rapidamente no espelho, brinco com as olheiras fundas oriundas das noites de clarão e por um instante chego a pensar que, se foi tudo em vão, então não vale à pena arriscar as mesmas coisas todas às vezes.
Do outro lado, há quem tente refazer, reatar, relembrar quão especial a vida tem sido... Quão generoso tem se mostrado o amor, mas de que adianta? Do outro lado há alguém que necessita de explicações, alguém que quer saber o que houve com os muros em volta de “nosso forte”.
E eu não sei explicar nada. Por mais palavras que possam existir, por mais poesias que possam dar o toque cintilante... Ainda assim eu não sei usar os motivos plausíveis... Trago meus devaneios e em baforadas arrítmicas e agoniadas solto os medos, e, sobretudo as dúvidas. Vão se queimando as possibilidades dos sonhos na outra ponta... Não consigo tragar o inverso.
Deus olha lá do alto desolado talvez... Desculpe-me, não é falta de fé, é falta de forças. E sim, talvez eu seja mesmo complicada como no sonho e talvez eu sinta a necessidade de dormir para sempre exatamente como no sonho e talvez eu não seja mais a pessoa ideal, e talvez meu espírito tenha se esvaziado por ora na tentativa de enxergar por outro ângulo...
Acendo outro, para tragar o fim de papo. É tudo muito inocente, e deveras singelo, embora sombrio e impróprio, um paradoxo difícil de segurar no trago. Trato de aparar as cinzas que justificam apenas as bobagens. De resto, me sobra um quarto com e sem fumaça.
Por: Livia Queiroz
P.S.: Só fumo metáforas.
Ideia de Título sugerida por Karolzão: TRAGRANDO SAUDADES (Vou guardar esse título pra um outro poema Lol)
domingo, 7 de agosto de 2011
Epílogo nº 02
No nosso quarto, Amor meu, decoramos as paredes em tons chamativos de felicidade e o chão é varrido para o amor se deitar sem a pressa dos relógios.
Na nossa casa, meu grande amor, repetem-se singelos os dias de rotina sem rótulos. Acordam ligeiros antes de nós, os minutos ansiosos para testemunhar o nosso Simples.
Nessa cidade, doce amor, as canções feitas nos decoram as extremidades do corpo. Os poemas declamados selam isso tudo. E o Sol se pondo, grita sua inspiração em raios que a Lua, por não ter brilho próprio, apenas aprecia.
Eis o nosso espetáculo de camas, quartos, cômodos, incômodos e beijos.
Eis o nosso resumo de vida toda: noite e lençóis...
(Por: Livia Queiroz)
quinta-feira, 21 de julho de 2011
De cada Um...
Ele estava lá, como deixaram: camisa azul marinho e calça jeans, uma bota de couro de um preto velho e desgastado, a bicicleta azul e suja caída entre suas pernas...
E o homem lá: M O R T O...
Ninguém sabe o por quê. O mundo ficara silencioso de repente, para todos os que estavam a observar aquele tempo de ida sem volta. O dia raiava e o sem-vida, continuava lá caído, de rosto grudado no chão e saindo de sua boca, uma enorme mancha de sangue que envolvera todo o contorno da cabeça como um travesseiro: o conforto do último vestígio de vida se esvaindo de um corpo.
Havia uma palidez no rosto de quem o via, uma espécie de cara-parada...
Eu percebi, ali, quando olhei o homem estirado, que o que me impressiona na morte não é a vida ir-se, mas sim o desuso do corpo, a utilidade nenhuma do que se define como ser humano.O que realmente impressiona na morte é o momento do estado “parado”, do jeito “duro”, da face sem expressão... Aquele homem ficou de repente com um “não” preso no olho semi-aberto que, penso eu, “será que esse olhar teve tempo de ver a cara de morte, à ponto de, se possível fosse, fazer um retrato falado?"
Assusta-me também a feição, e os sentimentos de piedade que sobrevoam em nuvem pelo ambiente, o caos silencioso que paralisa os desconhecidos, e a dor que chega em cada peito sem saber porque ali está...
Deixa-me curiosa essas impressões e expressões que o fim da vida tirada pinta em cada rosto personagem componente do cenário “vazio”: caricaturas fantasmagóricas testemunhas de um espelho...
Imagem : Google
Por: Livia Queiroz
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Pontes Inesperadas...
Num misto de novidades, sonhos e medos,
Invocando a felicidade
e a necessidade de você pra sempre...
domingo, 12 de junho de 2011
Taça de corpo
altera o sabor do vinho.
Adoro porque em suas caraterísticas fundamentais
O vinho, se mistura e dá um sabor novo
aos caminhos que minha boca percorre.
Adoro quando não sei mais se é vinho
se é corpo, se sou eu embriagada
Quando não há mais distinções
você, vinho, eu,
bocas, pernas, paladar
sentidos e partes do corpo confundidos.
Adoro quando o seu corpo
altera tudo:
a noite, o vinho, o gosto e a mim.
(Por: Livia Queiroz)
