terça-feira, 10 de março de 2009

Nem sonhar mais se pode!

Eu sonhei. Acho.
E acho que sonhei porque às vezes penso que esse sonho era meio-sonho-meio-verdade. Tudo junto, tudo misturado.
Erguia as mãos como quem ergue uma criança ao colo e a pousa junto ao peito fazendo-a se sentar sobre seu braço. Mas não havia criança nenhuma nesse sonho(Porque em sonhos temos uns gestos ridículos?). Só usei isso pra descrever a sutileza de meus braços.
Havia uma conversa contínua de vozes irreconhecíveis que cortava o instante, uma voz era calma, rouca e masculina; a outra era aguda imperativa e feminina.
Uma porta separava-me dos rostos das vozes. Eu conseguia entender algumas palavras, mas tudo era absolutamente solto. Cada letra uma interrogação nova.
Isso se passava numa sala, clara e oca, com mais duas portas que levavam provavelmente a lugares distintos(não sei exatamente, em sonho tudo é possível). Uma das portas era a que eu desejava entrar, a porta que levava às vozes. Fiquei lá por algum tempo, os sussuros as vezes aumentavam e eu podia ouvir um "Você" ou "Nunca, isso nunca" ou "Já chega!".

Tempos depois a porta se abriu alguns milímetros e fechou-se novamente aumentando minha agonia. A voz aguda em alto e bom som dizia:"Eu sei, eu entendo tudo". A outra voz retrucava: "É preciso calma".

A porta novamente se abriu e consegui enxergar apenas um pedacinho da sala, uns centimetros da mesa, um celular e uns papeis desordenadamente dispostos sobre a mesma. A mão masculina pegou um dos papéis, e ambas as vozes não disseram nada, a mão que lia deu um suspiro e colocou novamente o papel na mesa. Reparei nessa mão: os dedos eram grossos e comprimdos, as costas da mãos eram brancas e veias azuis eram exibidas, parecia ser uma mão firme e que calculava com exatidão as palavras que usaria: "É preciso analisar os prós e os contras".

A voz aguda parecia irredutível , de relance peguei uma escapada da cor do tecido do que podia ser um vestido, ou uma saia, ou uma calça, um tecido branco com uns detalhes em tons de azul. Era percptível o nervosismo da mulher, pois o vestido captava o movimento de suas pernas a balançar.

Acontece que se eu soubesse que aquilo era sonho, no sonho, eu poderia entrar na sala, perguntar o que era aquilo tudo, o que estavam conversar e descobrir quem eles eram. Mas eu não sabia que podia matar minha curiosidade.
Por último, a voz aguda se levantou porque eu escutei o arrastar de uma cadeira contra o piso branco da sala, em seguida o dono da outra voz se levantou também porque avistei a sua mão pendurada ao lado do próprio corpo que vestia uma camisa azul ou preta ou verde ou... ou...
A mão masculina se ergueu em forma de concha e quase se fechou, fazendo com que os quatro dedos encontrassem com o polegar da mesma e acompanhassem o ritmo da frase: "Por favor, pense bem".

A voz aguda já havia pensado e nada disse, deve ter virado as costas e saiu andando em direção a porta, consegui ouvi o barulho de seus saltos provalvelmente muito altos, tocando o chão, e se aproximando.

Eu, do lado de fora, esperando a porta se abrir e eu enfim poder encarar as duas mãos, os dois trajes, os donos das vozes.
Ela chegou até a porta, e a segurou, pude ver seus quatro dedos da mão esquerda segurando a porta a fim de abri-la, as unhas grandes e pintadas com esmalte incolor brilhavam, porque o Sol estava amarelo iluminando o ambiente.
A voz rouca ainda tentou "Pense bem", fazendo com que a outra interrompesse o movimento calmo que realizava ao puxar a porta para si, abrindo-a para mim.
Ela hesitou por alguns segundos, ouvi sua voz chorosa, e sei que escorreu uma lágrima, porque ela fungou e tirou a mão da porta(provavelmente para enxugar os olhos) mas em seguida se recompôs e voltou ao movimento interrompido.
E ela ia abrindo e ia dar de cara com minha cara curiosa e eu pouco me importava. Enxergava meu sonho e me exergava como a quem assitia um filme.

Cada centímetro aberto era um à menos para mim, e um à mais para ela (para ele eu não sei). Vi parte da sua perna coberta pelo que tive certeza ser um vestido. E ela continuava decidida, ia abrir, resmungando baixinho entre umas lágrimas teimosas. Vi um clarão quando ela abriu a porta e um rosto conhecido diante de meus olhos, muito, muito proximo dizendo:

- Livinha, meu amor, acorda. Tá na hora.

É por essas e outras que tenho preferido dormir só...

(Por: Livia Queiroz)


SELINHOOOO


Ganhei esse selinho do blog
Aleatoriamente Colorido
Muuuuuuuuuuuito obrigada pelo reconhecimento.

* Ao receber o selo:
  1. Exibir o selo e quem te indicou;
  2. Indicar blogs que o mereçam e o porquê.
Blogs Indicados:
Lugar de Leveza
Acorde em Mi Maior

Borboleteando

Todos esses blogs ( de blogueiras muito talentosas) falam com alma, com tranparencia e leveza, além de toda a simplicidade da palavra.



quarta-feira, 4 de março de 2009

Reações adversas...

Quem olha torto e me vê assim meio bamba, andando com o corpo desnivelado, mais pra direita que pra esquerda, pode pensar mal.
Pode julgar uma dor e depois disso tudo rola mesmo um efeito colateral.
O Povo vê. O Povo fala. O Povo não vê. O Povo continua a falar.

E alguns ainda ousam. Criticam. Desencantam.
Falam mal de minhas palavras, Pobres Palavras, que por vezes, em meio à confusão do dia à dia jogo sobre o tapete. Elas me escapam da boca. E reações adversas são mais que esperadas.

Ando em tom desbotado e quem vê assim de canto de olho, acha que sou infeliz, pensa que estou triste, mas juro que não! Essa é a minha cor. Meu brilho é fosco.
Não estou interessada em reformas, não seriam suficientes e não seriam justas comigo.

Meu pobre coitado argumento pende em cordão fino meio lá, meio cá. Acordo de um sonho em cores e vejo a vida acinzentada pelo olho mágico da porta ao lado.

Vou me deitar quando tiver sono, e os que me olham de espreita, pensam que sofro de insônia por preocupação e ilusões, mas é que no escuro da madrugada procuro soletrar rimas perfeitas até encontrar uma que sivra pra mim.


(Por: Livia Queiroz)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

De novo...

Eu quero é tudo de novo
Quero sua luz no fim do túnel
Quero chegar a tua fonte

Teu eu, teu ego...trêmulo

Oscilante,
Quente...

Quero seu suplício

Sua loucura branda, doce.


Eu quero é tudo de novo

Os mesmo dias

As mesmas sensações

O mesmo corpo em minhas mãos

As mesmas mãos em meu corpo
Me enternecendo

Tua boca me povoando

Saciando minha vontade

Sua vontade sendo a mesma que a minha


Eu quero

Quero você me calando

Me selando, entorpecendo


Eu quero

Quero você me embalando

Me levando, envolvendo


Eu quero é tudo de novo

Toda hora, todo dia

O tempo todo.

Por tudo!


Quero mãos.

Boca.

Sede.

Eu quero é tudo.


(Por: Livia Queiroz)

P.S.: Não demora, volta logo!!!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

D(efeito)


Não revelo os teus segredos e nem o teu sumo doce e uno.

Soletro o nome baixinho e aguardo uma resposta, penso no que escrever, no que dizer para convencer-te a proferir a palavra mágica e quebrar o encanto.

O chão continua sujo, mas voltei à minha serenidade, pois, redescobri que tudo continua acontecendo:

As pessoas andam esgotadas

Os rostos cospem suor e cansaço

Os olhos digerem misérias e medo.


Porque me cansar tanto, se no fim das contas você não me surtiu efeito?


Eu ando só, mas não acompanho a solidão...

Tenho uns amigos poucos; umas taças e uma garrafa de vinho; um violão e uma boca que me sacia a sede e sacia-se também.

Ligeiramente.

Acostumei-me. Habituei-me.

Escapo do caos sempre que posso, corro pro vento e confio meu corpo a mim mesma, sirvo-me apenas de uma leve faísca de tudo que não me permiti.

Estou satisfeita e à vontade.

Uso. Desuso. Resisto. Insisto. Proíbo. Permito.

Olho pros dois lados, atravesso e a festa começa... Tin tin



(Por: Livia Queiroz)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Pra você! MEU anjo da Guarda!


Obrigada por ter voltado
[e me feito perceber que você realmente me faz falta.]
Obrigada por ter partido
[e me dado todo o tempo do mundo]
Obrigada por me fazer perceber sem atrapalhar
[mas você tinha razão o tempo inteiro]

É que reencontrei em suas mãos meu antigo porto seguro.
E encontrei em minhas mãos a fórmula certa pra o que eu procurava.
As coisas antigas tem agora o cheiro empoeirado.
E um beijo guardado (solto no ar) sela o novo após pousar em meus lábios.


{Obrigada San, por tudo que você foi e é. TE adoro!}


(Por: Livia Queiroz)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O ensaio(ou anseio) de Chico...

Todos os dias ela passa aqui na rua com aquele ar desaforado de causar tremores na espinha.
Há nela um rebolado sacana e um jeito de olhar maroto e quando diz
de maneira ensaiada "Boa tarde!", ela amolece os lábios sempre úmidos e fala pausadamente pra que eu saboreie letra por letra.
E eu caio na dela...

Porque quero. Porque gosto.

À cada dia que passa, percebo, no entanto, que as roupas diminuem
enquanto o calor aumenta.
Ai que vontade de colocar o pé na frente bem na hora que ela passa
pra ela tropeçar e eu ter a oportunidade de toca-la enquanto a ajudo a levantar-se... ou quem sabe aprecio o que há por baixo da sua micro saia.
É incrível, mas o cheiro dela sempre chega antes, e vem abrindo
caminho para seu desfile hipnotizante.

Cruel! Ela é Cruel!


E rebola, sei que é pra mim. Só pode.

Vez ou outra ela olha pra trás, e outro dia pude perceber uma piscadela.

Será que estou fantasiando?

Aposto que ela me percebe e ao chegar em casa comete as mesmas
loucuras que eu cometo todas as vezes que ela passa. E quanta "loucurinha" deve haver embaixo daquela saia!
"Quem é ela? Vivo a me perguntar!
E esqueço-me...
Disfarço apenas.


(Por: Livia Queiroz)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Blá-Blá-Blá

ELEMENTOS ABSURDOS QUE COMPÕEM ESSE ESCRITO:

I° Uma "Possível-Futura-Escritora" em crise.
II° Um livro sendo escrito nesse exato momento (E quem sabe publicado brevemente...)
III° Um pouco de cansaço por conta de mais um dia de trabalho.
IV° Medo
V° Gente nova cruzando meus passos de pernas AINDA bambas.

O TAL ESCRITO:

Sou eu em carne e osso, cambaleando ainda por causa de umas míseras migalhas que recolho em dias que me sinto só.
Sou eu esperando que cada um de meus alunos leia a sua redação que tem como título a pergunta: Quem sou eu?
-
No fim das contas, sou eu apenas esperando e eu nem construi minha própria redação. Não questionei a vida. Não andei perguntando nada...


Alguém me falou de alguma amargura em minhas palavras e acredito que há um tanto disso ou daquilo, mas no fim: Sou eu mesma!
Cheinha de suposições...

E quem não duvida?

E quem não hesita?

Palavras de um momento bom e passado ainda me perturbam. E ficam de espreita até que, quando eu me distraio, elas me invadem.
O medo é só de não conseguir me livrar disso a tempo, porque ventos novos estão chegando e ainda há motivos justos e certos para querer aproveitar um tantinho do que a vida me der.
Vou indo, pisando em ovos... O caminho é estreito ainda, mas a vontade é larga.

E lá Vou eu sorrateiramente...

O ABSURDO MOR:
"Os caminhos se separaram, e é só isso que há de concreto, mas ainda assim há uma dose de prazer e contradição em todas as lembraças e em todos os desejos que circulam na distância entre meus lábios e seus olhos... lindos... Ah, esses olhos..."

UMA TEORIA: .Tempo.

NOVA FRASE(PERGUNTA BÁSICA): "Pra que tanta coisa?"

(Por: Livia Queiroz)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ... Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ... Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ

Cá(aqui)eu me lembro que houve um tempo(remoto) que pegamos na mão da estrela mais próxima e aí seguimos pelo caminho mais longo, só pra sentirmos por mais tempo todas as vibrações que nossos corpos emanavam.

Era sonho?

E cá(hoje) eu lembro que os beijos poderiam ter sido mais longos, as palavras poderiam ter sido mais intensas, e tempo poderia ter sido poupado. Poderíamos ter esticado o prazo de validade.

Tudo sonho?

E cá(dentro) ainda rolam suas palavras ao som da nossa trilha sonora; ainda existe uma espécie de indecisão, uma luta entre alma que quer ficar e corpo que precisa partir; ainda tenho uns pedaços seus; uns bilhetes; umas coisas que nós esquecemos de catar.

Ainda não acordei!

(Por: Livia Queiroz)


MUDANDO DE ASSUNTO

RECEBI UM MEME DO PEDRO BEROCAN DO BLOG RESTO DE VERSO, COM AS SEGUINTES INSTRUÇÕES:

1. Colocar o link de quem te indicou pro meme;
2. Escrever estas 5 regras antes do seu meme pra deixar a brincadeira mais clara;
3. Contar 6 fatos aleatórios sobre você (essa é a proposta da brincadeira!);
4. Indicar 6 blogueiros pra continuar o meme;
5. Avisar para esses blogueiros que eles foram indicados.

  • FATOS ALEATÓRIOS:
  1. Tomei mamadeira até os dez anos.
  2. Morro de medo de agulha (exames de sangue pra mim são uma tortura); Palhaços e Barata
  3. Toco violão todos os dias. É sagrado!
  4. Só gosto escrever com caneta preta.
  5. Tenho mania de fazer tudo ouvindo música. Tudo mesmo!
  6. Meus poemas só me vem à mente quando estou morrendo de sono. E acabo sempre digitando no celular pra depois transcreve-lo num papel e em seguida digitá-lo(é um processo! aff...rsrs)

  • BLOGS INDICADOS
  1. Devaneios e Loucuras
  2. Obra XXI
  3. Blog do Chico
  4. Clube da Luluzinha
  5. Acorde em Mi Maior
  6. Borboleteando


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Surto Alto

Resolvi fazer um post com apenas quatro palavras e cores que estão interligadas...
Divirtam-se com suas interpretações...

Clique na imagem para ampliar!


P.S.: Comentários do tipo: "Blog legal", "Gostei do Blog" etc... etc... etc... são dispensados!
Ja cansei desses comentarios.
Vamos ser criativos né?!

sábado, 24 de janeiro de 2009

A última carta que te escrevi

Foi assim:
Foi bem no fim; no limite(no meu e no seu); foi no nível mais alto das minhas suposições e de sua cegueira (momentânea).
Era madrugada de domingo (quase segunda), um dia que passava dolorido por mim porque eu sabia que começaria a sua semana e com ela viria todas as complicações, todos os problemas se tornariam mais nitidos e nossa distância ficaria cada vez maior.
Oh (cara de espanto!!!), eu sofria por sua dores.

Eu escrevia no meio da madrugada certa carta cortada por umas palavras que eu não esqueço, porque nunca saíram do papel.

Dizia umas coisas doídas. Falava de Saudade.
Dizia assim: "[sinto]Saudade de seu ar sereno... Do tom doce de falar (quando não briga por bobagem)... Saudade de seus olhos, que às vezes se perde no meio da conversa e transforma-se em voz, perguntando: 'Ahn?'; 'Foi?'; 'Ah, tá!É?'"

Eu falava também das briguinhas sem motivos concretos. Alguém lançava a faísca e pronto: o incêndio ja tava formado. Foram inúmeras queimaduras. GRAVISSIMAS!

E se não me falha a memória, lembro que escrevi no finalzinho:
"Sonha com os Anjos e dorme comigo.
Por mais que doa, te amo pra sempre.
Ficaremos bem."
Enquanto escrevia rezava baixinho para que algum anjo adentrasse pela janela e te levasse a minha carta. A última.

Os Anjos não vieram. Nem passaram por perto.(Decepção!!!)
Só hoje sei porque...
Eles sabiam que eu havia esquecido de escrever tanta coisa...

Esqueci de escrever que eu sabia que o tempo passaria, e a dor ia adormecer, mas um dia nos encontraríamos na rua e talvez nem nos cumprimentássemos. E nesse dia, você iria me mostrar o novo brilho em seus olhos e um outro espaço preenchido por um amor novo, um tal qualquer.
Esqueci de dizer que eu estava do seu lado e você não viu. E que não cobro o tempo que passou, só não consigo entender o que você também nunca soube me explicar.
Esqueci de dizer também que um dia talvez o que eu sinto (hoje com menos intensidade) morra de vez e quando isso acontecer, eu no meu canto e você no seu, lembraremos que somos apenas seres humanos.

E assim as linhas ficaram poucas mas lembrei do que esqueci. Como não ia mesmo te entregar essa carta nem que os Anjos me aconselhassem, deixei-a guardada pra o futuro responder.
E a outra foi transformada em pequeninos pedaços risonhos no lixo...

P.S.: A outra carta atirei mesmo no LIXO!
Não só a carta!


(Por: Livia Queiroz)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

SEM TOM

Por Deus!
Horrendos 'demônios' esvaíram-se de suas moradas, amordaçaram os que não se renderam e os transformaram em reféns do próprio medo.
Subornaram à todos.
E calaram até o som do sangue pingando no chão...
Propagaram, em tom ameaçador, o torpe e esmagador discurso - cheio de absurdos e falta de concordância- de que: TODO HOMEM TEM SEU PREÇO E SE DEUS NÃO PUDER COMPRAR O DIABO PAGA E PAGA MAIS.

Santo Deus!
Mexeram no ciclo... Na rotação... Na semente do jardim de novas idéias.
Criaram nossas mulheres nuas e apelantes.

Mizeráveis!

Somos agora minoria. As agulhas no palheiro.
Quanta orgia barata!
Quanto estupro de informação!
Quanta falta de gramática... De Aurélio... de Gullar... de Clarice... Tom... Vinícius...
Invadiram nossa alma através da porta amistosa e sempre aberta de nossas casas, e agora não saem nem que os expulsemos.

Por Deus!
É esse o preço que um bom homem merece pagar por saber a diferença entre Bossa e Fossa?

(Por: Livia Queiroz)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Poema Adeus

Adeus dias tristes e sonhos interrompidos
Adeus palavra maldita e pensamento insano
Adeus falta de amor e fingimento impuro
Porque uma l u z brota da existência mais remota

Adeus dias e noites infames
Adeus sonhos de futuro distante
Adeus olhos hipnotizantes
Porque há beleza também em outros olhares

Adeus Ânsia...Sede...Fome...
Papel amassado ao lado da cama
Carta por ser escrita
Palavra por ser dita

Adeus cama vazia... Frio... Medo
Remédio que não surte efeito
Veneno sem antídoto
Fotografias sem vida

Adeus "mãos-de-adeus"
Porque há também o outro lado da história:
A parte em que o recomeço sorri
e a escuridão se distrai na propria sombra

Adeus Eu
Adeus V o c ê
Adeus poemas tristes e
I-n-a-c-a-b-a-d-o-s . . .


(Por: Livia Queiroz)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Cata-ventos

A Carta de um personagem que invadiu-me a alma através do seu próprio tempo!

"Não sou um homem de muitos amores, nem muitos horrores. Poucas coisas me escandalizam e quando isso acontece fecho meus olhos, já não carrego pedras nos bolsos, preciso de toda a leveza do mundo.
O que me entristece mesmo são os olhos que não enxergam a alma em dor, os corações que sugam até a última gota as boas vibrações do amor...

Conheço fatos e relatos de cada coisa no seu tempo, vivo isso tudo enquanto posso e já acompanhei o 'desenrolar' de toda a minha família.

Em dias quentes sento-me à beira da praia pra apreciar as crianças brincando na areia alvinha.

Em dias frios procuro a colcha mais quente e as palavras mais vivas, junto os netos à minha volta e conto as histórias mais lindas dos tempos em que o tempo era outro e ao escutar minhas próprias palavras tenho a noção de que o que vivi foi vida... samba... prosa... poesia...

Homem feliz que fui...

Criança feliz que sou...

E só tenho pela frente o futuro e o fruto doce que amadurece todos os dias.

O sabor que está por vir todo santo dia, todo dia é santo..."



(Por: Livia Queiroz
)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

... lindo como ele só...

Sol nasceu como as coisas que espero pro meu dia... como o que todos esperam.
A noção de felicidade passa a ser diferente quando vêm as contas no fim mês, as notícias dos jornais, as pessoas que largam as mãos, as que se fingem de cegas, as que atam a vontade do outro...
Começos de ano são sempre carregados de esperança (palavra mais louca... como apalpar o invísivel ou até mesmo a possibilidade dele), quando na verdade, a vida pode e deve ser deliciosamente aproveitada e reaproveitada todos os dias.
O instante se apresentou e se eu não fizer ou desfizer o que é necessário, eu perderei a hora...

Desatei-me... Descompliquei-me...
Desfiz-me..."Desandei-te"... (des)Desperdicei-me...

Agora estou longe de você, como deveria ter feito há tempos...
Estou longe das notícias ruins e das mãos que andam secas e mesmo assim ainda se espremem contra meu rosto.
A velocidade é inconstante e o tempo é o meu.
O nascer é de cada um.
Ponto final!

(Por: Livia Queiroz)

Foto: Praia do Flamengo, SALVADOR-BA
01/01/2009

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

To na Rua (PerGaminho ou PerCaminho?)

Pequeno jogo de palavras perdidas em uns caminhos estreitos, quando corria atrás dela... Até alcançar a janela de sua alma e adentrar feito um louco bandido...
(Por: Livia Queiroz)
P.S.: Se não estiver conseguindo ler, clique na imagem para aumentar o tamanho...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Preciso de Pouco

Em tempos de fim de ano, sempre observo as pessoas, as mudanças de comportamento, as novas esperanças, o cheiro de ano novo...
Tudo ganha cores novas.
Não sei se é pelo desejo real de mudança ou se é pelo desejo de que tudo acabe logo mesmo.
No meu caso, é um pouco dos dois... Mas no fim das contas descubro que eu preciso é de quase nada...O Sorriso Certo,
O Olhar Verdadeiro,
que faz parar o tempo...
A vontade de viver coisas novas
Grandes Novos Amores ou apenas Um
Desejos de ir
Sonhos novos que me permitam ficar
(Idas e Vindas: isso já não me confunde tanto)

Pessoas...
Palavras...
Música...
Cores...

Um tantinho de dinheiro no bolso

E no fim das contas, pra selar tudo isso, nada melhor do que O Abraço...
O Seu!!!


Saudades...
Ah, eu preciso de VOCÊ perto de mim


E você, amigo blogueiro, precisa de que?



DESCULPEM-ME A AUSÊNCIA, E A DEMORA DE POSTAR, ANDO MEIO SEM TEMPO...

(Por: Livia Queiroz)


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sem Controle

Controle-Remoto
Mão sem controle
...
Esbarra na mão
Sorriso
(Foi de propósito) - Pensamento
Suspiro
Luz Apagada
Tv Ligada - Filme
"Que filme que nada!"
Faltou energia (eba!!!)
Riso
Mão Boba
Boca
Cheiro
Gosto

Eu Gosto!!!


(Por:Livia Queiroz)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Trechos de Nada


Vive reclamando do pouco tempo que tem.
Das filas enormes nos bancos.
Da falta de tempo pra família
Da falta de tempo pra si mesmo
E sua alma é ingênua: Ela acredita... acredita em tudo!

No fundo está sempre esperando...
Espera pela melhor resposta, pra poder aceitar os fatos.
Espera um sorriso pra poder retribuir.
Espera um amor pra começar a amar
Um outro corpo para aquecer o seu.
e Vive dependente da própria dependência.

Acredita nos beijos mais fáceis e mais vazios
Acredita que acredita no outro
Como se o outro não cometesse o mesmo erro.

Vive com a certeza de que o pleno é realmente o completo.
Confunde esperanças com espera.
O pior: Espera da maneira mais inútil
Espera o que não vem!!!


(Por: Livia Queiroz)

Perdoem-me o pessimismo estampado nesse post...
Depois de algum tempo achando que tudo estava voltando ao normal, as coisas desandaram novamente... enfim, mas isso também é viver.



segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A sala de Retalhos

Olhava aquele lugar como se fosse o primeiro que vira em toda sua vida. E de fato o era. Embora tivesse crescido ali, mas acostumara-se a não reparar. Apenas vivia por lá e pronto!
E ponto.

Vestia-se de si mesmo todos os dias, mas naquele dia não teve escolha, aquela sala o obrigara a se despir. Não sabia se fora pelo novo desejo de partir, ou se fora pelo velho desejo de ficar. Pôs-se a catar os pedaços que não serviam e costurar meio despretenciosamente e sem a menor noção do que aconteceria...
Apenas selecionava o que a alma jogaria no lixo e costurava um pedaço no outro que também não haveria de prestar. Demorou quase a vida inteira para conseguir...
Por fim construiu-se e destruiu-se ao ver um espelho cru, feio e em pedaços que ele mesmo emendou...
O formato turvo da costura, as cores mórbidas dos retalhos, o efeito sombrio que tudo aquilo o causara, inundou aquela sala de terror e o seu peito de desespero.
Catou também o desespero e emendou na costura.
Não faria mais nada dali em diante.
Tornara-se inerte!


(Por: Livia Queiroz)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Volta-e-meia-volta.

Segunda-feira dia de postagem nova...
Na verdade eu ia postar outro poema, mas esse aqui eu fiz ontem(16/11) à noite e decidi postá-lo hoje.
Ela que era geralmente relapsa
Se encontrava perplexa
Com o rumo complexo
Qua a situação tomou...

Compadecidos e estimulados
Talvez embriagados por tanta informação.
Ela comia batata-frita
Ele bebia vinho tinto.
Ambos ao som e imagem incandescente
Do Mestre Chico.

Ele falava-lhe sobre suas causas nobres
Sonhava com uma nova revolução
E ela queria apenas ter uma filha
E o xingava em inglês.
Acompanharam então, com precisão eloquente
O minar das proparoxítonas da plena Construção*.

Ele queria uma coisa
Ela também queria.
Ele desejava mostrar-lhe os livros que costumava invadir
Ela desejava mostrar-lhe as músicas que costumavam invadi-la.

Um sabor exagerado, mas nem por isso desgostoso, de diferença fritava
ao compasso dos passos apressados da garçonete.
Compartilhavam de maneira sólida as palavras e defendiam suas idéias:
Mirabolantes, exorbitantes, por vezes sincopadas em vaticínios prolongados
Isso aí era amizade.

Ele meio tonto. Ela meio gorda.
Ele quase um homem. Ela quase mulher.
(ambos à caminho desse cruel fim de linha)
Ele meio assim. Ela mais assim ainda.
Aquilo, daquele jeito, era amizade.
Saíram juntos do tal lugar
Ela ainda perplexa. Ele ainda convicto.
E cantarolaram o que não deviam.
Enquanto riam de si mesmos.

Descobriram por fim que o que ambos queriam era mais do que aceitável:
Queriam apenas uma poesia ritmada.

E quem ousaria impedir-lhes?
Afinal eram um Saxofone e um Violão.

Singela homenagem à Gleison Coelho e um brinde à nossa amizade.
(Por: Livia Queiroz)

Na foto: Ele e Ela
Citação: Construção* música de Chico Buarque